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A onda dos Malbecs está mais do que concretizada não só na Argentina como no mundo. Os Cabernets e Bonardas trabalham para se mostrar ao mundo e mostrar que a Argentina tem muito mais a oferecer do que só Malbecs. A onda do momento, no entanto, é de blends ou pelo menos é esse o meu feeling então decidi montar uma degustação, mais uma eu sei, mas é provando que realmente conhecemos vinho então não vou esmorecer e no próximo dia 28 de Agosto vou montar um encontro que terá como tema; “ Blends Argentinos”.

Day 1 - amanhecendo em MendozaJá estou em Mendoza, amanhece nesta linda cidade e meu garimpo começa daqui a pouco pois os vinhos da degustação eu vou levar daqui. Escolherei seis vinhos e uma surpresa ao final que pode ou não ser um blend! Entre na onda, somente 12 vagas então não deixe para amanhã porque as vagas se esgotam bem rápido. Na Vino & Sapore a partir das 20 horas e o valor, a ser pago no ato da reserva, será de R$100 por pessoa. Salute e amanhã tem noticias aqui de Mendoza, eta cidadezinha bonita sô!

Reservas através do mail: comercial@vinoesapore.com.br

 

 

Mendoza logo


Um varietal pode estampar o nome da uva em seu rótulo quando esta possua predominância de no mínimo 85% na sua elaboração, porém algumas regiões isso pode chegar a 70% como em Cahors na França onde a Malbec comumente é cortada com Tannat e Merlot. No Brasil, esse porcentual é de 75% e a especificação das outras cepas que compõem o restante do vinho não é obrigatória vindo daí a pergunta, você sabe mesmo o que está bebendo?
Pessoalmente me preocupo com o todo, com a origem, com o produtor mais do que com a composição do vinho, porém há quem seja fissurado por saber das uvas que está tomando. Tem gente que só toma Cabernet Sauvignon e não toma blends porque acha que a “mistura” não faz bem ao vinho ou não gosta de Merlot, Malbec ou Carmenére. Será?!! Pode muito bem ser que esse tomador de vinho esteja tomando um “varietal” de Cabernet com uma boa dose de Merlot, Malbec, Petit Verdot ou até uma somatória delas sem saber!

Afinal, qual a diferença entre vinhos varietais ou vinhos de corte? Vinhos varietais são vinhos, a principio, feitos com um único tipo de uva, ou com predominância de um tipo de uva de acordo com a legislação da região produtora. Já os blends (de corte, assemblages, coupage, de lote ) são vinhos de misturas de diversas cepas o que requer grande experiência e sensibilidade do enólogo que vira um verdadeiro alquimista. Os vinhos de corte brancos, tintos ou rosés, misturam diferentes tipos de uvas para tirar o melhor de cada uva, buscando assim um vinho, mais equilibrado, mais complexo e mais completo. Eu adoro blends e um bom exemplo deles são os vinhos tintos de Bordeaux na França, que normalmente são uma mistura três uvas, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc (há ainda outras possíveis, como Petit Verdot, Malbec e Carménère).

Qual o melhor, varietal ou blend? Este não é um fator de qualidade em um vinho e é certamente tema para muita discussão, porém numa lista dos maiores vinhos do mundo a maioria será, com grande probabilidade, composta em sua maioria por vinhos de corte pois o resultado dessa somatória vai muito além do mero resultado matemático e por isso insisto em dizer que nossa vinosfera não é binária! Pessoalmente tenho uma queda por blends como os portugueses do Dão e do Douro com suas castas autóctones em perfeita harmonia e os Chateaneuf-du-Pape, com até 13 uvas, que a meu ver crescem em complexidade e são meus preferidos, porém em primeiro plano o vinho tem que ser bom, isso sim é essencial!

Já que embarco para Mendoza nos próximos dias com um grupo de amigos e leitores, me veio á mente que esta região tem fama por seus varietais, porém há inúmeros exemplos de bons blends vindos tanto de lá quanto do Chile que poucos conhecem. Esse Susana-Balbo-Briosoaumento de produção de bons blends mostra que esses mercados produtores começam a atingir sua maturidade inclusive misturando a mesma cepa porém de vários vinhedos e sub-regiões ou altitudes (a Catena faz isso muito bem com a Malbec e a Las Moras com a Syrah), na busca da utópica perfeição. Um bom exemplo disso é o Suzana Balbo Brioso da Bodega Domínio del Plata de Mendoza, fruto de um blend de Cabernet Sauvignon / Malbec / Merlot / Cabernet Franc e Petit Verdot (corte bordalês completo) que mostra extrema complexidade aromática e explode na boca com muita harmonia e equilíbrio deixando um rastro de muito prazer, sem perder sua personalidade mendocina mostrando grande estrutura e se mostrando um vinho de guarda para tomar, preferencialmente, com mais de quatro anos de vida mas que dura dez tranquilamente!

Aproveitando essa dica, decidi que trarei dessa viagem alguns blends diferenciados e, como fiz da última vez que por lá estive, vou montar uma degustação só com eles! Essa degustação que fiz foi o maior sucesso e o pessoal até hoje fala disso, então reservem o dia 28/08  “Blends da Argentina” na Vino & Sapore a partir das 20 horas! Peça já a sua reserva através do mail comercial@vinoesapore.com.br, os rótulos só vou saber depois da viagem, porém o preço já está definido, R$100 por pessoa.

Uma uva ou diversas uvas, seu prazer é o limite, mas cuidado porque você pode estar tomando uma coisa achando que é outra então melhor rever seus conceitos ou comece a exigir aqueles rótulos em que o contra rótulo claramente especifique 100% do uso da cepa mencionada. Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.

Piemonte Além do Barolo


Depois de um encontro do terceiro grau com incríveis Rosso e Brunello di Montalcino e outro de Barolos, a confraria Saca Rolha está difícil de largar da Itália! Desta feita, Piemonte sem Barolos que é para descobrirmos o que mais esta incrível região de 16 DOCGs e 52 DOCs (salvo engano) tem a nos oferecer. A cada 100 hectares de vinhedos um DOC ou DOCG, é diversidade para ninguém botar defeito! Vamos ver o que a amiga, confreira e porta voz do grupo Raquel Santos tem a nos dizer sobre mais essa experiência:

Em nosso encontro anterior, o foco principal foi o mais famoso representante da região do Piemonte: O Barolo, porém nem só de Barolos (e Barbarescos, seu irmão menos famoso), vivem os vinhos que representam essa região italiana. Além da Nebbiolo, outras castas também importantes, produzem vinhos de alta qualidade, únicos no mundo, de muita personalidade e caráter. Desta vez, fizemos uma incursão pelas Barbera, Dolcetto e novamente a Nebbiolo, porém produzida em outras denominações de origem. Provamos três vinhos elaborados com a uva Barbera, um com a Dolcetto e dois com a Nebbiolo: (clique nas imagens para ampliá-las)

Piemonte Map ClipboardFuturosso de Monferrato 2011 – do produtor Marchesi Incisa Della Rochetta
Da região de Asti (DOC Barbera d’Asti), corte de Barbera com Merlot, mostrou primeiramente aromas terrosos e muita fruta. Médio corpo, leve e fácil de beber. O equilíbrio entre a acidez, taninos redondos e frutas maduras fazem dele um bom acompanhamento para refeições.

Barbera d’Alba Annunziata 2009 – do produtor Rocche Costamagna
Como o nome já diz, proveniente da região de Alba (DOC Barbera d’Alba), com as características próprias regionais: Aromas de terra molhada, madeira de bosque e especiarias. Muito fresco, demonstrando boa acidez, frutas pretas, como amoras e ameixas. Bem estruturado, taninos fininhos e apesar de pouco extrato, tem longa persistência na boca.

Barbera Langhe Casaret 2012 – do produtor Marziano Abbona
Esse produtor chamou atenção já de início, pelo lindo rótulo com desenhos de pássaros da fauna da região (DOC Langhe). Em relação aos anteriores, mostrou-se mais potente e encorpado. Aromas e sabores de frutas(groselhas) e grande evolução na taça. Com o tempo mostra um caramelado sem ficar enjoativo por conta da boa acidez. Muito equilibrado.

Dolcetto di Dogliani San Luigi 2012 – do produtor Marziano Abbona
Pequena região demarcada como DOCG, que lhe confere um grau maior de qualidade. Aromas discretos, verdes, de ervas aromáticas, frutas vermelhas (geleia de cerejas)e especiarias (menta, hortelã) conferem a esse vinho uma boa harmonia entre frescor e doçura de frutas. Um vinho leve para acompanhar antepastos e beber descompromissadamente.

Nebbiolo d’Alba Brico Barone 2011 – do produtor Marziano Abbona
Muito aromático, fresco e equilibrado. Notas de especiarias, ervas aromáticas (vermute), cânfora e final longo. DOC Nebbiolo d’Alba.

Barbaresco Dezzani 2008
Os vinhos de Barbaresco (DOCG), assim como os Barolos, são feitos 100% com a Nebbiolo. Apresenta muita estrutura e equilíbrio entre corpo, acidez e taninos. Álcool e madeira bem incorporados. Grande leque de aromas que evoluem muito com o tempo na taça. Notas de ervas aromáticas, frutas vermelhas, cogumelos e “sur bois”. Características gastronômicas com muita elegância.

Durante essa degustação, observei que ninguém, em nenhum momento mencionou a palavra “taninos”, “acidez” ou “álcool”. Suponho que deve-se ao fato dos vinhos serem muito equilibrados. Enquanto a conversa corria solta, e os antepastos à mesa eram consumidos sem cessar, fomos chegando ao fim com gostinho de quero mais….e eis que lembraram de uma aposta feita anteriormente, por ocasião da Copa do Mundo, onde alguém apostou um Barolo! Aposta feita, aposta paga!

Piemonte Seleção Saca RolhaO fato dos vinhos da região do Piemonte virem sempre associados à comida não é à toa. Assim como em toda a Itália, a culinária está muito presente na cultura do seu povo. Ingredientes locais, como as famosas trufas brancas de Alba, os azeites de oliva, os queijos, as ervas aromáticas e os assados por longo tempo, sempre evocam uma atenção maior ao momento de comer.

O movimento internacional “Slow Food” originou-se ali, na cidadezinha de Bra, fundado por Carlo Petrini. Portanto, você que neste momento está lendo esse texto, diminua seu ritmo e faça como os piemonteses: primeiramente escolha um vinho. Pode ser um Dolcetto, que é um vinho leve, suave, para ser consumido no meio do dia, acompanhado de antepastos. Ou um Barbera, que como o Dolcetto, é também leve, suave, com um pouco mais de acidez, e acompanha bem uma refeição. Se sua comida for um pouco mais elaborada, aconselho um Barbaresco, que faz bonito tanto num almoço quanto num jantar sem pressa. Agora, se for um jantar, numa ocasião mais formal, com pratos mais marcantes, escolha um Barolo. O mais importante no entanto, é que possamos dar a devida atenção a esse sublime momento de comer e beber.

Salute, Kanimambo e uma ótima semana para todos. Para mim e para a Raquel será, pois Quinta-feira desembarcamos em Mendoza de onde eu, espero, postarei sobre nossas visitas.


Bem, que a uva ícone argentina é a malbec e que ela originou na França a maioria já sabe, só que existe o Chile que corre por fora com algumas outras boas e interessantes opções de bons vinhos. Cerca de 70% dos Malbecs do mundo vêm da Argentina, mas ainda semana passada tomei um ótimo e surpreendente chileno, o Odfjel Orzada, porém hoje não é dia de falar dele nem dos Malbecs chilenos e sim da degustação ás cegas que organizei na Vino & Sapore onde coloquei seis rótulos de três diferentes países numa disputa direta á cegas. Vinhos da França, do Chile e da Argentina, por supuesto!

Foi um exercício hedonístico realizado com 13 apreciadores de vinhos, seguidores de Baco com sede de conhecimento e descobertas de novos sabores. Coloquei duas faixas de preço como parametrização de comparativo, uma de R$75 a 100 e a segunda de R$100 a 135. Interessante esse parâmetro porque por muitas vezes vimos o mais barato dando pau nos mais caros o que, desta vez, não ocorreu!

Um importante aspecto a considerar também, é que em Cahors (França), berço da uva, a AOC permite que com apenas 70% da cepa o vinho pode ser rotulado como Malbec, sendo comumente cortado com Tannat e Merlot. Outros rótulos presentes também levam um “tempero” de outra uva, porém em porcentuais bem menores. Como sempre, tentei trazer para a taça vinhos menos conhecidos tendo tido para isso o apoio dos importadores Mistral, Decanter, Wine Mais, Almeria e Berenguer imports

Malbecs do Mundo às CegasNa Faixa de R$ 75 a 100 – Chateau Chevaliers Lagrezzete 2005, Riglos Quinto 2010 e Perez Cruz Edicíon Limitada 2012

  • Chateau Chevaliers Lagrezette é francês de Cahors . A Malbec é aqui complementada por cerca de 12% de Merlot e 3% de Tannat, gerando um vinho saboroso, com aromas de média intensidade, taninos finos, retrogosto frutado com leve toque de especiarias . A idade parece que começa a pesar e gostaria de rever este vinho de uma safra bem mais jovem (2010 para cá) pois o potencial estava lá, porém foi sumindo na taça!
  • Riglos Quinto, argentino de Mendoza e o segundo vinho do produtor. Leva 12% de Cabernet Franc e com somente 6 meses de barrica de 2° uso, é pura fruta, nariz intenso, fresco, cremoso na boca, textura sedosa e muito bem equilibrado é um vinho que não nega fogo sempre que é aberto. Elegante, é um vinho que chama a próxima taça.
  • Perez Cruz Cot Edicion Limitada, é o representante chileno nesta gama de preços e para não variar, voltou a se dar bem. Cot é um dos nomes pela qual a malbec era mais conhecida na região de Cahors, a outra era auxerrois, tendo a Perez Cruz usado esse nome no rótulo em função da origem dos clones em seus vinhedos. Tem um temperinho de 5% de Petit Verdot e 2% de Carmenére e um dos vinhos com maior passagem em barrica que provamos nessa noite, 14 meses. A madeira está bem presente, porém sem se sobrepor á fruta, edoso, fruta madura, especiarias, boa textura num corpo médio, final de boca fresco com um leve toque amentolado. Um destaque nesta faixa!

Na Faixa de R$100 a 135,00 – Arroba Malbec de Autor 2009, Loma Larga Malbec 2009 e Chateau de Haut-Serre 2009

  • Arroba Malbec, do enólogo Carlos Balmaceda. ´, com apenas 5.000 garrafas produzidas foi o único 100% Malbec na disputa. De Mendoza, é exuberate no nariz, fruta madura, denso e carnudo, equilibrado, taninos doces e aveludados mostrando sua cara sem excessos e bem integrados, final de boca longa com notas achocolatadas. Um vinho que fez a cabeça de muita gente tendo mostrado muita tipicidade tanto da uva como da região.
  • Loma Larga Malbec, o representante chileno desta faixa de preços mexeu com o sensorial de muitos dos presentes. Vem de Casablanca o que quer dizer uma região mais fria com forte influencia marítima devido a sua proximidade com o mar e levou um tempero de 5% de Syrah. Doze meses de barrica imperceptível, só 20% novas, dando suporte a frutos negros, toque floral muito interessante, meio de boca gordo, acidez bem presente, harmonioso com um final longo e apetecível.
  • Chateau de Haute-Serre , o menos típico de todos os vinhos que se apreentaram. De Cahors, vem com 30% de tannat e merlot o que na minha opinião desvirtua um pouco pois altera em demasia as característica da uva principal que é a malbec. Tendo dito isso, é um vinho surpreendente e marcante que criou alvoroço na mesa. A complexidade impera tanto nos aromas como no palato, notas de salumeria, terra, algo mentolado e até arriscaria um leve alcaçuz, tudo muito equilibrado, ótima textura, bom corpo, taninos muito finos com um final longo com toques de café e cacau, bem diferente e saboroso.

Malbecs do Mundo Vino e SaporeComo estava servindo, as anotações acima foram rabiscadas num papel para posterior consulta e muitas sensações se perdem com o tempo, porém acho que o resumo está bem perto da realidade e os participantes podem, e devem, comentar e corrigir á vontade. Mais uma noite muito agradável em que os três primeiros vinhos foram também os mais caros:

3° Lugar – Arroba Malbec (Argentina/Mendoza)
2° Lugar – Loma Larga Malbec (Chile/Casablanca)
AND THE WINNER IS!
Chateau de Haute-Serre Malbec (França/Cahors)

Chateau de haute-serreUm Belo Vinho!

Na somatória das notas o país vencedor foi o Chile, seguido de França e Argentina. Até um próximo Desafio as Cegas, quando surpresas acontecem! Salute e kanimambo.

O Outro Cabernet Chileno


È, há umas duas semanas falei de um e tinha prometido o segundo em seguida, mas o trampo está pesado então está faltando tempo para colocar a escrita em dia, porém não esqueço minhas promessas, não, só tarda! rs Falei do Lauca Reserva Cabernet Sauvignon e hoje quero compartilhar com os amigos e amigas o In Situ Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2010. Mais um vinho desta uva que mostra bem a boa adaptação aos diversos terroirs chilenos. O Lauca é do Vale do Maule e este é de Aconcagua, o que gera algumas diferenças, porém entre eles uma linha mestra, a ausência da excessiva piracina que tanto me incomoda em boa parte dos vinhos chilenos. O produtor é a Viña San Esteban e esta linha de produtos me atrai bastante porque afora o prazer na taça, também dá um alivio no bolso entregando mais do que se espera em função do preço.

Gosto do In Situ Big Red Blend (que nem é tão big assim!) que conjuga muito bem a Cabernet, com Petit Verdot e algo de Carmenére na casa dos R$56, mas este 100% Cabernet traz algo mais! O enólogo, Horácio Vincente, é  filho do proprietário, formado em Bordeaux e essa influência se sente bem em seus vinhos CAM00300com um algo mais de sofisticação. O In Situ Gran Reserva Cabenet Sauvignon, leva 90% desta cepa à qual ele adiciona um tempero de 5% cada Carmenére e Cabernet Franc, e deixa “amadurecer” em barricas francesas e americanas de 225 litros por cerca de doze meses.

O resultado é um vinho que atrai á primeira “fungada” mostrando uma fruta vermelha viva e fresca, e um toque algo terroso (bosque molhado), de boa estrutura tânica, densoe de bom corpo sem ser excessivo ou pesado,  complexo, elegante, textura aveludada, boa acidez e harmônico com uma leve pimenta de retrogosto e boa persistência. Um Cabernet muito bem feito, sem exageros nem maquiagem com a madeira a dar apoio ao conjunto sem jamais se sobrepor. Pelo preço, na casa dos R$75 a 80,00 acho que é uma boa opção a vinhos de marca mais famosa e mais caras, porém sem a qualidade e equilíbrio que este apresenta e prazer que nos dá. Como já disse anteriormente e por diversas vezes, é esse o barato do garimpo, encontrar estes rótulos menos midiáticos de produtores de menor porte que nos surpreendam. Se você gosta de Cabernet Sauvignon, eis uma boa opção ao seu dispor no mercado.

Espero que curtam! O VSE Cabernet, o de gama de entrada deles, é um vinho bem feito que já comentei por aqui há uns cinco anos atrás e dizem que o In Situ Laguna del Inca, seu vinho top, também é muito bom e esse eu botei na alça de mira para uma próxima oportunidade provar. Se você provar antes, ou já conhecer, me diz algo? Bem gente, a conclusão que tiro é que este produtor se dá bem com a Cabernet em sua propriedade e cantina o que pode ser um fator a se considerar quando nos depararmos com seus vinhos no mercado, ojo! Bem, hoje é só e amanhã falarei um pouco da degustação às cegas que armei com Malbecs chilenos, argentinos e franceses, mais surpresas! Kanimambo e uma boa semana para todos.


Quem me acompanha há mais tempo sabe do meu projeto de viagens enogastroculturais pelo mundo com a saudosa Inês (quecível) que tão cedo e tragicamente nos deixou junto com o Thiago. Após um ano e meio retomo as atividades com a Wine & Food Travel Experience, um projeto de viagens internacionais buscando experiências sensoriais diferenciadas através da boa enogastronomia.

Antes de alçar voo para outras regiões mais longínquas de nossa vinosfera, optei por voltar com um roteiro mais enxuto, em conta e de poucos dias o que facilitará a disponibilidades dos potencias passageiros, quatro dias cheios na Argentina, mais precisamente em Mendoza na Argentina, um oásis em diversos sentidos, com roteiro montado por mim. Mendoza é o epicentro da produção de vinhos argentinos, uma babel em que produtores franceses, italianos, portugueses, espanhóis, chilenos, americanos e até argentinos (rs) produzem uma gama de vinhos de grande diversidade e não só Malbec. Dia 21/08 pretendo levar amigos seguidores de Baco num exclusivo grupo de 12, máximo 15 pessoas , para desfrutar dessa experiência intensa e marcante comigo quando espero poder mostrar que os vinhos da Argentina não se resumem aos famosos Malbecs. Diversidade por aqui também é fato!
Melipal 1

Saímos Quinta (21/08) de madrugada de Guarulhos em voo direto para Mendoza onde chegaremos por volta das 4:30 de la matina. Direto para o hotel, café da manhã e um tempinho para descansar no quarto ou esticar as pernas nas gostosas ruas e praças que circundam o hotel 4* escolhido no centro da cidade. Depois e em três dias, visitas a oito vinícolas para conhecer um pouco mais do que está por trás de uma garrafa de vinho e, obviamente, degustar alguns deles (Melipal, Dominio del Plata, Achaval Ferrer, Catena, Atamisque, Vina Alicia, Lagarde e Carmelo Patti).

Em três delas almoçaremos com um menu degustação devidamente harmonizado com os vinhos “da casa”. Um mix de gigantes do setor com produtores  garagistas e projetos inovadores assim como produtores de médio porte, um panorama bastante interessante para os aficionados dos caldos de baco! Para terminar, no Domingo light, visita a um lagar de azeites, e um jantar de despedida na última noite antes de seguirmos para o aeroporto onde embarcaremos na Segunda (25/08) ás 00:20 chegando em Sampa ás 4:20 da manhã o que deve possibilitar, aqueles que precisarem, chegar no batente antes das 9:00!!  Total do pacote, USD1.600 com 30% no ato da reserva e o restante em 5 vezes no cartão, imperdível!

Meio em cima da hora, mas são só dois dias de labuta! Caso tenha alguma dúvida ou queira esclarecimentos adicionais, Sorry sold Outbasta me contatar ou ao parceiro Clube Turismo em Cotia já que o roteiro parte de Sampa mas eles podem ajudar você a chegar de outras localidades. Quem sabe faz a hora não espera acontecer, então faça desta a sua hora,afinal você merece, ou não?! Aguardo vocês, pois os acompanharei em toda a viagem.

Para acessar o roteiro completo clique aqui http://www.diariodebaco.com.br/imagens/viagem-mendoza-2014.pdf. Valeu Alexandre! Clique nas imagens para ampliá-las.

 

Clipboard mendoza Full


Depois que participei daquele evento promovido pela Wines of Argentina harmonizando vinhos e música, fiquei mais ligado nesse lance e ontem, ao tomar este vinho de agradecer de joelhos, me veio essa canção à mente que, tal qual o vinho, não me sai da cabeça!! Já faz um bom tempo que esta garrafa estava aqui em casa, porém só ontem a oportunidade apareceu para tomá-la e que grande vinho de sobremesa!

Adoro ser surpreendido desta forma e me empolgo quando acontece nessa intensidade. Não é aquele energético não, Nederburg Noble Late harvestmas que me deu asas, deu! rs Aromáticamente envolvente, de grande intensidade e absolutamente sedutor, daqueles que você não sabe se funga ou se bebe! A presença de aromas de casca de laranja confeitada é bem marcante, mel de laranjeira já mostrando um lado cítrico bem marcante e notas de damasco em passa. Chenin Blanc (73%) responsável pela ótima acidez, Muscat de Frontignan (26%) a doçura e inebriantes aromas (?) e 1% de Semillon para aquele toque especial, esse blend explode na boca com redobrada intensidade e nos faz cair de joelhos em preces de agradecimento ou ataques egoístas querendo tomar conta da garrafa! rs Muiiiito bom!!!

Um vinho perfeitamente harmônico em que a Botrytis* (Podridão Nobre, daí o nome do vinho) se faz sentir de forma elegante, extremamente equilibrado ( uma acidez de quase 10 grs/l que se contrapõe muito bem às 200 grs/l de açúcar residual) e um leve toque de baunilha no retrogosto mesmo não havendo maturado em madeira. Na minha infância na África do Sul eu adorava Peach Rolls (pêssego desidratado e prensado depois enrolado em rolinhos, um certo toque azedinho doce) e me senti transportado a essa época.

Aí, inebriado que estava de tanto prazer, entrei na net para pesquisar um vídeo com a canção “Amazing Grace” e me deparei com esta linda gravação do grupo  “Celtic Woman” que vale muito ver, espero que curtam. A gravação é longa, cerca de cinco minutos de puro deleite, mas garanto que acaba antes de você terminar sua garrafa de Nederburg Noble Late Harvest, um vinho que me seduziu e é para ser curtido sem pressa. Recomendo, ainda mais pelo preço na casa dos R$80 a 85,00. O principal crítico de vinhos sul africanos, John Platter, lhe deu cinco estrelas e tendo a concordar com ele. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Uma ótima e doce semana para todos.

Amazing Grace Na Versão Celta com Gaita de Foles – “Celtic Woman”

Aumente o som!

* Botrytis -De forma simplista, é um fungo que dá na uva gerando perfurações que “esvaziam” o suco da uva fazendo com que ela se desidrate e concentre açucares. Para quem quiser saber mais a fundo o que é e como ele influencia os vinhos, siga esse link para a ótima matéria escrita pelo respeitado José Luiz Alvim Borges da ABS >  http://www.artwine.com.br/edicoes/wine-style-6-botrytis-cinerea-um-fungo-de-multiplas-facetas.pdf

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