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         Eis algumas palavras e termos que recentemente usei em meus textos que podem ter, eventualmente, gerado duvidas por parte de alguns já que tive comentários (via mail) nesse sentido. Espero ter esclarecido, mas no caso de quaisquer outras duvidas não hesite em perguntar. Se souber explicarei e, se não, buscarei a resposta junto aos universitários.

 

Botrytis

Este é um termo bastante usado quando falamos de vinhos de sobremesa, mas o que é isso? O que é uva  botritizada, ou Botrytis nobre. Na verdade Botrytis é um fungo que ataca as uvas. Quando isto acontece devido ao excesso de água e humidade, as uvas podem apodrecer e a colheita se perder. Quando ocorre, todavia, por condições climáticas mais secas após um bom período de chuva, o que ocorre é que a uva seca e enruga, perdendo grande parte de seu suco e concentrando sabores, açúcar e acidez. A maioria dos grandes vinhos de sobremesa brancos são, total ou parcialmente, elaborados com uvas botritizadas. A colheita é manual, em diversas fases, porque a botrytis não ataca de forma linear e o mosto tirado dessa uvas é muito limitado fazendo com que vinhos elaborados desta forma sejam, normalmente, bastante caros. Exemplos de algumas destas preciosidades são os vinhos doces Alemães Auslese ( em especial os Beerenauslese e os Trokkenbeerenauslese, este ultimo quase que em estágio de uva passa), os vinhos Sauterne de Bordeaux e os Tokaji Húngaros.

 

Late Harvest ou Colheita Tardia

Exatamente o que o termo indica. As uvas são mantidas nas vinhas pelo máximo tempo possível após o tempo de colheita. A tendência dessas uvas, tradicionalmente associadas a vinhos de sobremesa, é de irem se desidratando e acumulando açucares. Quando atacadas por botrytis, somente viáveis em alguns terroirs, geram vinhos bastante doces.

 

Off-Dry

Um termo mais recente, usado por enófilos e enólogos Ingleses para exemplificar um vinho que não é seco porém também não é nem um demi-sec nem um vinho doce. Algo como, um vinho seco com nuances adocicadas.

 

Trasfega

Trata-se da transferência do mosto ou vinho, de uma barrica ou tanque para outro, preferencialmente por via natural através de gravidade, ou por acionamento mecânico de bombas, separando o sedimento, ou borra, decantada no fundo. Esta etapa, que ocorre normalmente entre o sétimo e décimo dia da fermentação alcoólica e se repete por mais três ou quatro vezes nos diversos estágios da viníficação, facilita a clarificação do vinho e previne a aquisição de odores não recomendados provenientes das células velhas das leveduras.

 

Terroir

De acordo com seu conceito Francês, é um conjunto de terras, solo, cultura e clima sob a ação de uma coletividade social congregada por relações familiares e por tradições de defesa comum e de solidariedade da exploração de seus produtos, gerando características típicas e únicas daquele local. Isto vale tanto para vinho como para café, chá ou qualquer outro produto agrícola.

 

Salute e kanimambo!

 

 

 

Este segundo mês Falando de Vinhos e Regiões da França, nos traz à Borgonha (Bourgogne), uma região pequena de somente cerca de 51 mil hectares dos quais, 23 mil na sub-região de Beaujolais (menos nobre) resultando em apenas cerca de 28 mil que são distribuídos por todos as outras sub-regiões. É um retalho de pequenas micro-regiões (mais de 100 AOCs),  pequenos produtores, cooperativas e negociantes. Quando um vinhedo pertence a um só dono, é denominado Monopole. Por outro lado, existem vinhedos, como o de Clos Vougeot, que possui 51 hectares dividido entre 80 proprietários diferentes, cada um fazendo o que quiser com sua parcela. No total, são mais de 4300 Domaines (denominação de propiedade similar aos Chateaus em Bordeaux) dos quais 85% têm menos de 10 hectares.

É uma região que possui características climáticas muito complicadas e a sua principal uva, a Pinot Noir, que produz verdadeiros néctares, é de difícil cultura e viníficação. Aqui, mais que em qualquer outro local, a análise das safras e o terroir são essenciais para quem quer se aventurar por estas paradas. Todos os especialistas são unânimes em dizer que as diferenças entre bons e maus produtos é muito grande tornando extremamente complexa a compra destes caros vinhos. Uma boa assessoria e boas dicas de alguém em quem confiem são, mais do que nunca, uma necessidade imperiosa.

Os tintos são menos tânicos, devendo ser tomados levemente refrescados em torno de 16º. Os bons; são vinhos sensuais, de extrema elegância e apaixonantes, produzidos em pequenas quantidades, com alta demanda e preços bastante caros. As grandes uvas são as Chardonnay e Pinot Noir, com a presença de Gamay na sub-região de Beaujolais e uma ou outra micro-região em que o corte Pinot com Gamay são permitidos. É, também, a região no mundo, onde estas cepas melhor conseguem expressar toda a sua complexidade e elegância de forma inimitável. Diferentemente de Bordeaux, aqui os vinhos são, essencialmente, varietais, mas com uma diversidade de aromas e sabores impressionante devido à grande variedade de terroirs. São mais pálidos com uma certa transparência, mas não por isso menos intensos de sabores e aromas, muito pelo contrário. Considerando-se a relativa fragilidade da Pinot Noir, contrariamente a vinhos elaborados com Cabernet Sauvignon, evite decantar o vinho deixando-o evoluir na taça. Nos brancos, Chardonnay para todos os gostos, de leves, aromáticos e minerais em Chablis, até encorpados e densos como os de Montrachet. Dados estatísticos podem ser vistos nas tabelas publicadas no post “França – Regiões e Uvas”. Agora, demos uma olhada nas sub-regiões da Borgonha:

 

 

 

Chablis, (100% Chardonnay) parte mais ao norte da Borgonha, produz, para o meu gosto pessoal um dos melhores, se não o melhor, vinho branco do mundo elaborado com esta cepa. Um bom Chablis possui uma leveza, paleta aromática, frescor, maciez e mineralidade difíceis de serem imitadas, tão pouco ultrapassadas, devido às características do solo da região. Os vinhos das denominações Petit Chablis e Chablis, são mais ralos, alguns bons, mas acabam sendo caros para o que entregam e são vinhos para tomar até uns 3 anos de idade, quem sabe quatro. Já os Chablis Premier Cru e os Grand Cru, apesar de caros, o que me faz comprá-los somente no exterior, quando de eventuais viagens, onde não são exatamente baratos, porém sendo bem mais acessíveis que por aqui, são outra conversa. Os Premier Crus permitem uma guarda de quatro a sete anos, enquanto os Grand Crus permitem esticar esse período por mais uns três anos. Importante considerar estes potenciais tempos de guarda para não cair em algumas eventuais armadilhas encontradas em promoções com oferta de vinhos velhos.  Lamentavelmente, demasiado caros não sendo para qualquer bolso, mesmo os vinhos mais simples. Por sinal, minha adega está sem nenhum, não se acanhem! rsrsrs

Cote D’Or – É uma escarpa resultante de uma anomalia geológica que levou à erosão das bordas do planalto Borgonhês. Somente cerca de 50 quilômetros  de extensão, mas o mais importante, conhecido e valorizado pedaço da Borgonha. A Cote D’Or está dividida em duas micro-regiões, ao norte a Cotes de Nuits e ao sul a Cotes de Beaune. Genericamente falando, a Cotes de Nuits produzem vinhos mais estruturados e de intensidade superior, enquanto a Cotes de Beaune mostra mais elegância e frescor. Isto, porém, não é uma regra sem exceções já que Pommard gera vinhos densos, duros e tânicos que pedem tempo na garrafa para amadurecer e, no entanto, se situa em Beaune.

·        Cotes de Nuits – Quase que a totalidade de vinhos tintos e a maioria dos Grand Crus. Importantes vilarejos/comunas considerados micro-regiões são; Morey Saint-Denis, Gevrey-Chambertin, Chambolle-Mussigny, Vougeot, Nuit Saint-George, Vosne-Romanée e Echezaux.

·        Cotes de Beaune – Com cerca de 20% de produção de brancos (Chardonnay e Aligoté) a maioria dos Grand Crus brancos se encontram por aqui. Os importantes vilarejos/comunas são; Aloxe-Corton, Pommard, Volnay, Savigny-les-Baune (de onde tenho provado magníficos e exuberantes vinhos), Beaune, Mersault, Puligny-Montrachet, Chassage-Montrachet e Saint-Aubin.

São, em sua grande maioria, vinhos caros sendo difícil encontrar um vinho, mesmo que básico, por menos de R$60,00 ainda que em oferta. Os vinhos de maior qualidade já se aproximam dos R$100 e os realmente bons acima dos R$150,00 tendo o céu como limite. Um dos vinhos mais caros do mundo vem desta sub-região, é o Romanée-Conti do qual se produzem pouquíssimas caixas ao ano. Preço? A bagatela de, no mínimo, R$10.000 podendo, facilmente chegar a R$20.000. Interessante é que o maior colecionador mundial destas preciosidades é Brasileiro, vive em São Paulo e é político! Legal, não? Mais um dado interessante é que, dizem, o custo de produção equivale a algo como Euros 18 a 20 por garrafa! Na hora que cola o rótulo ……. quem sabe, um dia, consigo cheirar uma rolha!!

Cote-Chalonnaise – Uma sub-região menos valorizada, ao sul de Beaune, porém com algumas AOC’s bastante interessante e com produtos menos valorizados, porém de grande qualidade. Um exemplo é Bouzeron com deliciosos vinhos brancos elaborados com Aligoté e Mercurey com belos vinhos tintos de boa concentração e equilíbrio entre os quais um dos destaques do mês. Fora estas duas, boas opções poderão ser garimpadas em Givry, Montagny e Rully.

Mâconnais – O rótulo AOC Macon, é genérico e, de acordo com Saul Galvão, produz alguns brancos interessantes, porém seus tintos costumam ser fracos e caros para o que são.  Os Macon-Village são vinhos mais elaborados bem frutados, para serem tomados jovens sendo uma categoria bem superior. Duas outras AOC’s produzindo bons vinhos brancos são, Pouilly-Fuissé e Saint-Véran.

Beaujolais – Região que pouco tem a ver com o resto da Borgonha e é, muitas vezes, analisado como uma região independente. Comercial e administrativamente, está “amarrada” à Borgonha, mas tem terroir bem diferenciado usando, essencialmente, a uva Gamay na elaboração de seus vinhos. Dos mais famosos, bom marketing, são os Beaujolais Noveau que são distribuídos anualmente, todo a terceira Quinta-feira de Novembro, em todo o mundo, sendo vinhos para serem tomadas em até seis meses, com muita sorte um ano, devido ao tipo de vinificação adotada. São vinhos elaborados através de maceração carbônica, método de vinificação sob o qual produzirei post um pouco mais adiante. Se você vir uma oferta de Beaujolais Noveau com mais de um ano de vida, não caia nessa! São vinhos, em sua grande maioria, leves, frescos, bem frutados e joviais para tomar refrescado a 14º enquanto se traça um belo sanduba. Nada de sofisticação ou complexidade, são vinhos ligeiros e fáceis de tomar, sem grandes comprometimentos e baratos. Os melhores são os Beaujolais-Village que, normalmente, possuem um pouco mais de estrutura. Dentro da região existem os Crus, que aqui não indicam um vinhedo e sim comunas (vilarejos), e aí o papo é outro. Seguem sendo vinhos bem mais acessíveis que o restante da Borgonha, porém já possuem um outro nível de qualidade, maior estrutura e intensidade de sabores e aromas do que os Beaujolais mais comuns.  Entre estas cerca de 10 Crus, algumas se destacam como; Moulin-a-Vent, Fleurie, Morgon, Brouilly, Juliénas e Saint-Amour todos com vinhos mais elaborados e com maior potencial de guarda podendo evoluir até quatro, cinco anos ou até mais, em especial os primeiros três aqui citados, quando tendem a se assemelhar aos vinhos elaborados com Pinot Noir. Alguns dos vinhos que Tomei e Recomendo, vêm desta região e surpreendem.

Bem, por hoje é só (?!). Nesta Quarta-feira completo este post falando das denominações de qualidade usadas na Borgonha e, logo depois, o primeiro dos Tomei e Recomendo deste mês. Ao longo do mês, posts com informações sobre as regiões do Loire e de Cotes-du-Rhône. Muito trabalho, muita pesquisa e pouco tempo, mas vamos em frente!

Salute e kanimambo.

              Bem, Vinhos da Semana realmente não são. Na verdade são vinhos, muitas vezes, efetivamente tomados num período um pouco mais longo, estando mais assim como para uns dez dias. Só que, não dá para dar um titulo de “Vinhos dos Últimos 10 dias”, ficaria uma coisa sem graça, não concordam? De qualquer forma, são os vinhos que tomo em casa e sob os quais teço as minhas opiniões, sensações e prazeres que é uma forma de compartilhar os vinhos com os amigos. Vamos lá, chega de papo e falemos de vinho.

 

 

Philippe Bouchard Syrah 06, Vin des Pays D’OC , delicioso vinho da região de Languedoc com 100% de Syrah. Vinho pronto, muito agradável, teor alcoólico comportado com 12.5º, boa concentração com uma paleta olfativa muito agradável. É fresco, equilibrado, leve para corpo médio com toques de especiarias típicos da casta e muito sabor. Taninos finos e elegantes, completam este conjunto de forma muita harmônica. Um vinho realmente fácil de agradar e fácil de harmonizar por um preço muito bom. Como sempre digo, um Syrah elegante é sempre um grande prazer tomar e este não foge à regra. Disponível na Vinea Store por R$49,00. 

I.S.P. $

 

Los Vascos Cabernet Sauvignon Gran Reserva 05, um Chileno tradicional, com um tempero de 3% Syrah e 5% Carmenére, com influência Francesa que sempre me agradou muito. Este não negou fogo, mas já tomei melhores e o 2004 é um deles. Segue sendo um vinho de bastante elegância, de médio corpo, taninos finos, porém achei, por mais que os outros digam não, que a madeira e o pimentão aparecem demais faltando-lhe harmonia. Talvez tenha faltado uma decantação, não sei. De qualquer forma, segue sendo um vinho bastante interessante, boa qualidade só que, desta vez, não me empolgou. Pode ser o vinho ou posso ter sido eu, preciso lhe dar uma nova chance, mas a principio, acho que o Reserve está melhor, mais equilibrado e custa menos. Disponível na Confraria do Queijo & Vinho por R$64,00. 

I.S.P.   

 

Duque de Beja 05, vinho Alentejano, saboroso corte de Syrah/Cabernet Sauvignon/Aragonez e Trincadeira. Bonita cor rubi com toques violáceos e boa fruta no nariz. Na boca, fruta madura de boa intensidade, macio, sem arestas, muito harmônico e de média persistência. Vinho bastante agradável, taninos maduros, doces e já equacionados, lhe dão uma personalidade muito própria. Ideal para acompanhar uma carne assada ou prato similar. Disponível na Lusitana por R$ 45,36.

I.S.P.  .  

Fincas Privadas Tempranillo 05. Este Argentino, volta e meia, aparece sob a minha mesa e não só quando o orçamento está curto não! Por vezes, gosto de tomar vinhos mais descomplicados, sem grandes compromissos e fáceis de beber. Este é meu porto seguro e um vinho que me agrada muito. Não tem um conjunto olfativo intenso, mas é agradável com bons aromas de frutas vermelhas. Na boca é um vinho suave, macio, muito saboroso, surpreendente frescor e de grande harmonia com taninos finos e um bom final de boca. As pessoas têm dificuldade em acreditar, mas tudo isso custa apenas R$13,50 a 16,00 dependendo de onde você o compra. Na Casa Palla o compro pelo preço mais baixo, mas o Carrefour e outros supermercados também o têm. Provei os outros varietais deste produtor e os achei bem mais fracos, não os recomendando. Nesta faixa de preço, este Tempranillo é campeão absoluto e harmoniza maravilhosamente com pizza, um belo hambúrguer, umas lascas de queijo, bate-papo, amigos, macarronada de Domingo, e por aí afora.  Aliás, acho que rima bem com informalidade. A dica é, deixar o preconceito de lado e se deixar surpreender provando este verdadeiro achado para seu dia-a-dia. Fiquei em duvida se era um e meio smiles ou se deveria dar-lhe dois. Ora bolas, este merece, me dá muito prazer por pouca grana, então dois smiles serão! 

I.S.P. $ $ 

 Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

É gente, não sou eu que falo! O jornal O Estado de São Paulo publicou ontem, na página C4, o resultado de uma pesquisa com base em dados colhidos junto ao Ministério da Saúde, USP e UNIFESP que confirmam aquilo que eu já desconfiava e mencionei no meu post  “De boas intenções o inferno está cheio”, no último Sábado. O nível de concentração média de álcool no sangue dos motoristas que morreram em acidentes, era muito superior àquilo que a lei permitia (0,6grs). Nos acidentes de carro, esse nível médio apurado, com base em laudos do IML em São Paulo referente a 2005, apresentou um nível de 1,4grs e nos motociclistas de 1,7grs.

Creio que fica óbvio, como expus no Sábado, que a solução do problema não passava pela redução do limite, mas sim pela criminalização e endurecimento das leis assim como de uma efetiva fiscalização e punição. Quem será que foi o “iluminado” que bolou esta nova lei e como ela passou pelos “compadres” no congresso? Que “sumidades”, verdadeiros inconsequentes são esses? A quem, realmente, interessa essa redução e porquê? Essa está difícil de engolir! Quem sabe uma boa taça de vinhos não lhes clareie as idéias a ponto de reverem a tremenda besteira cometida?

Salute, apesar de tudo e dessa gente, e kanimambo.

            Este post advém de algumas perguntas que recebi de amigos e que, imaginei, podiam ser duvidas que outros também tivessem. Vamos lá:

 

O que fazer com o vinho caso sobre na garrafa? Neste caso há que lembrar que existe uma oxidação natural do vinho depois de aberto o que o tornará, em um determinado e variado espaço de tempo, em um liquido avinagrado. Existem duas formas básicas para se manter um vinho. Primeiro, usando-se um vacu-vin que é um aparato, bem em conta e um importante acessório para se ter em casa, que retira da garrafa o excesso de oxigênio. Mantido na geladeira, dá para agüentar uns dois ou três dias sem grandes alterações. A segunda opção é passar o vinho restante para uma meia garrafa e tampar com a rolha mesmo. Com menos oxigênio na garrafa, o vinho pouca alteração sofrerá no período de 24 a 48 horas.

 

Cálculo de vinhos por pessoa? Esta é bem freqüente, especialmente para eventos, festas e reuniões com os amigos. O tradicional é se calcular meia garrafa por pessoa. Em casamentos onde haja somente espumantes sendo servidos, eu sugiro um pouco mais, algo como duas garrafas para cada três pessoas. Se o espumante for servido somente no brinde, acho que uma garrafa para cada seis pessoas está de bom tamanho. De qualquer forma, penso aconselhável que, feito o cálculo, compre-se uns 10% a mais só para garantir. Comprando de pessoal especializado em festas (contate alguns dos parceiros do blog em Onde Comprar) existe a possibilidade de consignação o que facilita a compra. Se não der e sobrar, acho que você achará uma solução para a sobra, não?

 

Tampa de rosca no vinho, é sinal de vinho barato? Não. Com a falta de cortiça e o alto custo decorrente, esta é uma técnica nova em pleno desenvolvimento e com muita gente de qualidade buscando esta alternativa especialmente para os vinhos brancos e para vinhos de consumo mais rápido, vinhos para serem tomados jovens com quatro a cinco anos de vida. Os vinhos do Novo Mundo; especialmente Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e África do Sul tomaram a dianteira nesta mudança, mas na Europa, Argentina e Chile também já se começa a usar a rosca. Para mim, o que realmente é sinal de vinho barato, é o uso de rolhas artificiais em especial aquelas pretas, roxas ou vermelhas! Considero isso uma verdadeira aberração e me arrepio todo quando me deparo com uma dessas. É, eu sei, puro preconceito e conservadorismo. Pode até ser, mas é o que sinto. Por outro lado, uma longa rolha de cortiça nos sugere estar frente a frente a um vinho de grande qualidade.

 

Um vinho elaborado com duas uvas diferentes é um bi-varietal ou um corte? Bem, na verdade é um corte bi-varietal! O corte, não é necessariamente uma “mistura” de diversas uvas podendo haver cortes com barricas de idades diferentes, de locais diferentes, etc. Comumente, no entanto, entendemos como corte o uso de duas ou mais cepas diferentes. Cada país, todavia, tem sua própria denominação e cultura e, no caso da Argentina, por exemplo, o corte de duas cepas é muitas vezes chamado de bi-varietal. Aproveitando o ensejo, esta palavra corte é só uma das usadas internacionalmente para denominar esta “mistura” de cepas. Outras são; blend, assemblage e encépagement. Os varietais, por outro lado, são vinhos elaborados com uma só cepa, ou variedade de uva.

Salute e Kanimambo!

Gosto quando descubro coisas diferentes, adoro experimentar. Se visito um país pela primeira vez, tento sempre provar os sabores locais. Nesta nossa Vinoesfera, ajo da mesma forma e o meu hobby é garimpar. Desta vez a Heloisa da Zahil me apresentou ao meu primeiro vinho Libanês. É, é isso mesmo, vinho do Líbano. Já sabia da existência de bons vinhos da região, porém não tinha tido a oportunidade de provar um vinho desta origem que possui uma forte influência Francesa, muito em função de ter sido um protetorado Francês e a chegada de Jesuítas Franceses à região nos idos de 1857. O vinho existe na região (Fenícios à época) há mais de 4000 anos e o Chateau Kefraya é um dos persistentes e ativos produtores que insistem em seus projetos apesar de todas as dificuldades políticas no Líbano onde a guerra tem deixado suas marcas ao longo dos anos. No total são cerca de doze produtores com uma produção total de cerca de cinco milhões de garrafas anuais, mas a região está crescendo e evoluindo muito de 20 anos para cá e, especialmente, nos últimos cinco anos com novos produtores e investidores chegando nos rastros do sucesso trazido por vinícolas como o Chateau Kefraya.

Este Chateau é dos principais protagonistas no mundo vinícola Libanês e seu topo de gama aqui no Brasil, Chateau Kefraya, é um vinho cultuado e bastante conceituado (por volta dos R$130,00). Este Les Bretéches du Chateau Kefraya, que provo hoje, é recém chegado sendo qualificado como um vinho do chamado “entry level”, que é uma forma bem acessível de tomar contato com os vinhos do Líbano e, em especial, deste importante produtor. Falemos do vinho!

  • Produtor Chateau Kefraya
  • Importador Zahil (11) 3071.2900
  • Região Vale do Bekaa
  • País - Líbano
  • Composição uvas – Podendo variar anualmente, mas aproximadamente 70% Cinsaut, 10% Cabernet Sauvignon e o restante dividido em porcentuais praticamente iguais de Syrah, Tempranillho, Carignan, Mourvedre e Grenache. Nesta safra, teve um corte de 80% Cinsaut, 6% Cabernet e 7% cada Grenache e Carignan.
  • Detalhes Produção – Tanques de inox e concreto, nada de madeira.
  • Teor de álcool – 13.5º
  • Safra - 2006.
  • Preço médio em Junho/08 - R$46,00
  • I.S.P. $

Produzido a cerca de 1000 metros de altitude, o Les Bretéches  é um vinho muito saboroso, suave com boa estrutura, boa presença de frutas silvestres com nuances florais ao nariz. Na boca é redondo, macio, agradável, fazendo lembrar muito os vinhos do Languedoc e do Rhône na França , apresentando um bom frescor, leve toque de especiarias e um bom final de boca de persistência média. Os taninos são finos e elegantes, tornando o conjunto uma agradável surpresa e uma bela opção de vinho de qualidade nesta faixa de preço. Tomei-o solo, linda cor rubi brilhante na taça, acompanhado só de algumas lascas de Parmesão, bom, mas penso que será um companheiro certeiro para um arroz de lentilhas com kafta de carne. Certamente combinará com diversos outros pratos, desde uma pizza a uma carne de forno! Pelas suas qualidades, um vinho de fácil harmonização que fará fãs rapidamente. Como o próprio produtor o descreve, um vinho de prazer.

Ps. Uma pena que a substituição tarifária tenha elevado o preço deste vinho. A R$40,00 seria campeão, uma ótima compra que estaria no páreo para o prêmio de melhor achado do ano!

               Com a presença do enólogo Renzo Cotarella, diretor geral da casa produtora Italiana Marchesi Antinori, tive o enorme prazer de degustar algumas preciosodades e confirmar que não é só de fama que esse pessoal vive. Realmente produzem vinhos de grande qualidade sustentada por mais de 600 anos de experiência e mais de 26 gerações envolvidas no processo do vinho. Foi do bate-papo com ele que registrei esta sábia frase:

“Não existe receita do vinho, existe tendência e estilo. Porque a natureza muda a matéria prima todos os anos e o enólogo tem que, respeitar essas variações e tirar delas o que de melhor geraram na safra.”

  • Começamos essa degustação com um Chardonnay da região da Úmbria que me surpreendeu. Bramito Del Chardonnay I.G.T. 2006, bonita cor amarelo palha, brilhante tem aromas bem frutados, de boa intensidade que vão se abrindo na taça. Bastante floral, pêra evoluindo para baunilha após um tempo. Na boca demonstra ser um vinho muito equilibrado, de boa acidez, suave, boa mineralidade evoluindo para uma certa cremosidade após um tempo, agradáveis traços de levedura no final de boca. Muito agradável, fácil de tomar e agradar, mas nada simples. Belo e saboroso vinho. Preço R$ 99,00.
  • Um delicioso corte de 40% Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 20% Syrah, compôs o segundo vinho. Il Brusciato Bolgueri D.O.C 2005 produzido na Toscana é um vinho muito apetecível, muito elegante e extremamente saboroso. Boa paleta aromática em que sobressaem as frutas vermelhas, algo de especiarias e salumeria. Na boca é muito agradável, mostra boa estrutura, fruta madura e taninos leves e macios. Acidez moderada, elegante e harmônico com um bom e longo final de boca. Fosse mais barato e estaria diversas vezes sobre a minha mesa e na minha taça. Preço R$115,00.
  • Um ícone produzido com 80% Sangiovese, 15% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc. O primeiro Sangiovese amadurecido em barricas de carvalho Francês e o primeiro a usar assemblage com uvas não tradicionais mantendo, desde 1982, esta composição de cepas, não necessariamente porcentuais. Tignatello I.G.T. Toscana 2004, um graaaande vinho!Nariz intenso de grande complexidade onde aparecem frutas do bosque, alguma ameixa madura e algo de tostado. Na boca é de grande estrutura, complexo, taninos ainda firmes e aveludados, encorpado mas nada pesado, potente e de grande concentração buscando mais sutileza com foco em sabor e elegância. Um vinho difícil de descrever, mas inegavelmente um baita vinhaço, daqueles que chamo de vinhos de reflexão! Vinho de longa guarda, já está bom agora, mas daqui a cinco ou seis anos, deverá estar um espetáculo. Para quem pode ($), um senhor vinho por R$480,00 para fazer bonito na adega e, preferencialmente, na taça! Não é à toa que foi eleito melhor vinho Italiano em 2007 tendo figurado no Top 100 da Wine Spectator em que foi contemplado com 95 pontos.
  • Finalizamos com um vinho de sobremesa, Muffato Della Sala I.G.T 2004. Da Úmbria, este vinho é produzido com 60% Sauvignon Blanc, 40% Grechetto, ambas bortitizadas lhe trazendo a doçura natural, adicionados de uma ínfima parte de Gewurtzraminer e Riesling para lhe dar mais aromas e frescor. No nariz, é umespetáculo! Daqueles que você não sabe se cheira ou se toma. Muita intensidade exibindo notas de pêssego e algo de mel. Na boca é muito agradável faltando-lhe, para o meu gosto, um pouco mais de acidez e frescor. O vinho é doce e agradável, o preço nem tanto, R$195,00, provavelmente devido a produção ser muito limitada e a demanda alta.

Não degustado na ocasião, mas de importante destaque em minha opinião, a casa produz um outro vinho da Toscana, um corte de 60% Sangiovese, 20% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 5% de Syrah, que me encanta e que tem uma boa relação Qualidade x Preço x Satisfação. É o Villa Antinori I.G.T. que custa normalmente R$98,00 e nas promoções costuma estar por voltas dos R$85,00, quando se torna bem mais atraente. Muito saboroso, elegante, aromático, corpo médio, equilibrado com taninos macios e bom final de boca, é um vinho de grande qualidade que enche a boca de prazer por um preço um pouco mais acessível.

Salute e kanimambo.

                O proprietário, Simon Knittel escolheu o local a dedo! Um bucólico casarão antigo, datado de 1910, em que soube administrar os espaços de forma muito harmônica e charmosa. Desde a entrada com algumas mesas onde se pode degustar um vinho, á sala de almoço e aulas, a adega, a sala reservada para uso de confrarias e fumantes de charutos assim como os almoços executivos com a mão do Chef e jornalista Mauro Marcelo Alves. Uma bela seleção de vinhos com cerca de 700 rótulos cuidadosamente escolhidos, produtos gourmet, utensílios do vinho, cursos, degustações temáticas, enfim, muito mais que uma mera loja de vinhos, um verdadeiro Espaço Enogastronômico como Simon gosta de o chamar. O Simon iniciou sua viagem pelo mundo do vinho, revendendo vinhos via e-mail. Após quase quatro anos desenvolvendo este projeto e uma rede de amigos e cliente já bastante grande, ele decidiu que estava na hora de alçar novos vôos. Em Outubro de 2006, nascia a Kylix com o objetivo de desmistificar e oferecer bons vinhos com bons preços! Pelo que vi, está alcançando seus objetivos com muito sucesso.

              Quando fui lá almoçar, tive a oportunidade de degustar e apreciar o lugar. Realmente aconchegante com um serviço esmerado, descomplicado, simpático e, muito importante, com bons preços. Apesar de acreditar que, na maioria das vezes, o que importa é o todo, sei que é nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes que as coisas se diferenciam e mostram o que são. Enquanto almoçava, reparei que no canto á direita, encostado em uns baldes de gelo, existiam pequena mantas enroladas. Perguntei-lhes se vendiam estas mantas ou se havia alguma outra razão do porquê delas estarem lá? A resposta mostra a gentileza com que eles tratam os clientes. No mesmo espaço se dão cursos à noite e, em função dos vinhos, a sala é refrigerada. As mantas estão lá para que os participantes do curso possam se proteger do frio. Um pequeno e singelo gesto que demonstra bem sua forma de trabalhar.

            Costumeiramente publico noticias com excelentes promoções e eventos que ele realiza. A loja está sempre buscando inovar e, hoje mesmo, se inicia um novo projeto que ele idealizou em parceria com seus fornecedores, o Wine Day. De todos os vinhos que vi por lá, me chamaram a atenção os rótulos Kasher e rótulos Espanhóis de qualidade, trazidos pelo amigo Juan da importadora Península. Pois bem, especialmente para os amigos de Falando de Vinhos, eis uma lista de vinhos, com preços para lá de excelentes, que o amigo Simon preparou:

Rótulos Kasher:

  • Espumante Presidente (Israel) R$48,00
  • Espumante Carmel Brut Cuvée (Israel) R$45,00
  • Espumante Kedem Baron Herzog (EUA) R$45,00
  • Espumante Ma Maison (EUA) R$25,00
  • Altoona Hills Cabernet/Shiraz R$37,00 (Austrália)
  • Hagaon Malbec (Argentina) R$38,00

 

Rótulos Espanhóis (Península): Grandes vinhos por belos preços

  • Códice, da região de Penedés um vinho de que gosto muito, R$39,00 (dado!)
  • Alaia, mais um vinho que me agrada muito, elaborado com uma uva autóctone não muito conhecida, Picudo Prieto, que resulta num vinho deveras interessante e muito saboroso, R$38,00.
  • Viña Sastre Roble, um produtor de belos e respeitados vinhos da região de Ribera del Duero, R$66,00.
  • Viña Sastre Crianza, um belíssimo de um vinho muito conceituado, R$107,00.
  • Abadia Retuerta Seleción Especial, adoro os vinhos produzidos por esta vinícola na região de Sardon del Duero, R$165,00. Este tem 5* pela Decanter e 92 pontos do Robert Parker.
  • Alvear Solera 1927, um Jerez para lá de premiado e de grande reputação, em que o lote mais velho usado no corte, é datado de 1927. Preço R$115,00 para terminar uma refeição em grande estilo.

  • AAlto, um dos mais conceituados vinhos Espanhóis da atualidade, R$280,00

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