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Arquivo da categoria ‘Na Minha taça’


       Iniciei o ano bem, em família, sendo o restante meros coadjuvantes! Todavia, como nos filmes, bons coadjuvantes só fazem ressaltar o protagonista, uma mesa farta (sem exageros) e a taça cheia (também sem exageros) completaram o momento.

DSC01524       Na passagem do ano, mesmo sendo santista, iniciamos com uma salada tricolore com massa parafuso (fusili), tomate cereja, mussarela de búfala, manjericão e pedaços de atum regados a bom azeite Quinta de São Vicente Pemium  e um vinho branco leve e saboroso para acompanhar, o Terras do Pó, tudo bem light.

        Dando um tempo para o prato principal, abri um Cinque Autóctone Edizione 6 (referente á safra de 2004) que estava muito macio e saboroso já com notas bem evoluídas e tenho que concordar com o Márcio, de que já começou seu caminho descendente. Com oito anos, esperava mais, porém me parece ser um vinho para seis anos top! Alguém aí tem alguma experiência diferente?

       Chegou a hora do prato principal, o forte prato de Cabrito com molho e batata soutê encomendado ao restaurante DSC01519vizinho e parceiro Emilia Romagna, que harmonizou maravilhosamente com um belo e garboso Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo Reserva 2007, um dos grandes vinhos do Douro da atualidade e uma pena que esta foi minha última garrafa!

      Na virada, acompanhando um festival de fogos (obrigado vizinho) sobre nossas cabeças, um muito saboroso Lirica Brut da Vinícola Hermann, elaborado pelo método champenoise, para brindar ao novo ano e aos novos desafios que nos esperam, o encerramento de uma noite muito agradável.  

     Depois de tantas experiências sensoriais, nada como uma boa cama para refazer o corpo, mas foi no dia seguinte, o primeiro do ano, que realmente atingimos o ápice de nossa DSC01529celebração de Ano Novo, piscina em família com direito a neto e seus caldos! O moleque estava demais e para celebrarmos um espumante na piscina dele, um Palais de Versailles Rosé, que estava delicioso harmonizando à perfeição com o momento. Seco, sem amargor ou açúcar residual, um rosé muito fresco e equilibrado que não conhecia e nos seduziu. Barato, fresco e gostoso, bela combinação!

     No almoço, lagosta com risoto de limão siciliano e brie acompanhado de um muito bom Vinha Antiga Alvarinho 2008 de notas evoluídas muito saboroso. O prato, de elaboração própria, não ficou aquelas coisa, but who cares, divino estava o dia!Lagosta com Risoto de Limão e Brie

    Por dois dias nos esquecemos dos problemas do dia a dia e festejamos ter sobrevivido a mais um ano de nossas vindas enquanto nos enchíamos de renovadas esperanças de um Ano Novo mais próspero, de mais saúde e de novos projetos. Nada muda em dois dias, a vida segue em frente como sempre, mas o momento é propício para traçarmos novas rotas a serem perseguidas e tentarmos adequar nossos rumos à realidade que nos cerca. Que assim seja, um 2013 repleto de bons momentos, saúde para poder aproveitá-los e sucesso nos novos projetos. È isso que desejo para mim, meus familiares e para todos os amigos que hora leem este post.

    Salute e kanimambo esperando seguir contando com a fidelidade dos amigos que fizeram com que, mais uma vez de acordo com o ranking do Enoeventos elaborado sob os dados constante do portal americano Alexa, este blog siga entre os TOP 10 de nosso universo virtual enogastronomico.

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    Valeu e FELIZ 2013! Na sequencia da semana, alguns posts com um retrospecto de 2012, especialmente no que se refere ao que de melhor passou na minha taça com uma lista de achados!

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          Buscar rótulos de boa relação Qualidade x Preço x Prazer em qualquer das faixas de preço vigentes no mercado, é e sempre será um dos muitos objetivos deste blog. Estou com uma listinha desses rótulos a publicar, porém hoje me atenho aos mais baratos e aos vinhos que têm tudo a ver com a estação que recém entramos. Mês de primavera com calor de verão, que aliás parece que nunca foi embora este ano, o que nos faz buscar vinhos mais refrescantes como os brancos, rosés e espumantes.

Amalaya Branco – Vinho á base da cepa Torrontés que produz alguns bons caldos na Argentina. Com um toque de Riesling qe aporta uma maior acidez ao blend, mostra aquele floral típico da cepa, porém de forma menos intensa com algo cítrico no nariz e na boca um frescor muito bom, pois a Riesling faz muito bem esse papel dando-lhe um equilíbrio importante porque muitos torrontés por aí tendem a ficar algo enjoativos. Este é suave, balanceado e fácil de se gostar com um único inconveniente, a garrafa tem a tendência a acabar rápido demais!

Man Vintners Chenin Blanc – originária da região do Loire na França, esta cepa se deu muito bem na África do Sul onde encontramos alguns vinhos muito bons. Este vinho é de gama de entrada para ser tomado bem geladinho, ao redor dos 6ºC, é super refrescante para acompanhar petiscos variados inclusive frutos do mar e queijos de cabra. Para quem gosta dos Sauvignons Blanc, vale enveredar por vinhos desta cepa pois apresentam características de frescor muito similares.

Arco de la Vega Rosado – um rosé espanhol á base de tempranillo, de ótimo custo x beneficio que vale muito a pena como um vinho de entrada, pois possui muito das característica dos brancos mais leves e vibrantes. Notas de cereja, boa acidez que elimina eventuais sensações doces, uma mineralidade presente que me surpreendeu, certamente acompanhará bem um arroz de mariscos e um papo informal.

VillaVid Blanco – mais um espanhol de ótima relação qualidade x preço x prazer, coisa que tem se tornado costumeiro encontrar em boa parte dos vinhos espanhóis encontrados nas prateleiras dos pontos de venda de vinho espalhados no mercado. A uva Verdejo prima pelo frescor e aqui se junta à Macabeo para produzir um vinho muito saboroso de frutas tropicais,  fresco, algo cítrico na boca mas com um tempero a mais!

Falernia Pedro Ximenez – mais um que sai da mesmice, tanto no quesito região, uma nova zona quase desértica no norte do Chile – Vale do Elqui, quanto na uva em si que, na Espanha, é tradicionalmente usado na elaboração de vinhos doces na região de Jerez, os famosos PX. Este é vinificado de forma diferente gerando um vinho fresco de aromas intensos lembrando frutas cítricas e tropicais e um leve toque mineral. Na boca, é fácil de gostar, tem uma acidez gostosa, bom volume de boca, é delicado e com um final, equilibrado e seco.

       Existem muitos mais rótulos interessantes que valem a pena ser provados, aos poucos falarei um pouco deles, mas o bom destes é que a média de preços anda ao redor dos 40 Reais (mais ou menos 10%) o que é uma prova de que para se beber bem não há necessidade de grandes gastos. Explore, aventure-se por novos sabores e curta estes vinhos mais refrescantes pois a estação pede por isso.

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

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        Existem alguns dias que são especiais na taça, mas a minha anteontem transbordou de alegria e luxúria! Por ela passaram; Quinta do Vesúvio, Altano Reserva Quinta do Ataíde, Chryseia, Post Scriptum, Pombal do Vesuvio, Graham´s Tawny 10 anos, Graham´s Porto Vintage 1997 e um incrível Poggio di Sotto Brunello di Montalcino 2006, entre outros! Este último tomado em companhia de alguns poucos e, também, especiais amigos. Não vou nem falar dos vinhos, seria chover no molhado, porém saõ vinhos de exceção, vinhos verdadeiramente marcantes que fizeram de anteontem um grande e abençoado dia!

       Aos amigos que me proporcionaram essa experiência, meus sinceros agradecimentos e que baco os abençoe! Salute, kanimambo e, se algum desses vinhos passar perto, estenda a taça porque são imperdíveis e dignos de qualquer wish list sendo elaborado.

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          Há pouco mais de um mês tive a oportunidade de conhecer um Sauvignon Blanc como há muito não provava e num estilo “loirense” de ser que me seduz. O vinhos desta cepa elaborados nessa encantadora região da França, um de meus muitos desejos na lista de viagens a fazer antes da derradeira, são de uma elegância impar. Sedutores, sutis, plenos de frescor com boa mineralidade e vibrantes, me entusiasmam e no Chile também encontramos rótulos deste estilo, sendo o Laberinto Cenizas 2011 um exemplo onipresente e delicioso que comprova o que digo.

          Do Chile, especificamente da parte mais Andina do Vale do Maule beirando o lago Colbún, foi elaborado na edílica Viña Ribera del Lago (veja uma boa reportagem sobre o lugar aqui ) do respeitado enólogo Rafael Tirado que vem de uma família de winemakers famosa no Chile. Um projeto em que a qualidade se sobrepõe à quantidade com pouco mais de 25.000 mil garrafas produzidas entre 4 vinhos. Este Cenizas Sauvignon Blanc foi considerado pelo guia Descorchados 2012, mais importante guia do Chile, como o Melhor Vinho Branco Chileno. Como, no entanto, sou que nem São Tomé, tenho que experimentar sempre e o que comprovei é que todo esse retrospecto é mais do que merecido. Na minha taça aprovou com honras, verdadeiramente delicioso, um grande Sauvignon Blanc de notas mais vegetais que florais, ótima acidez, fino, com uma mineralidade sedutora na boca e uma persistência muito longa que pede  não a próxima taça, mas sim a próxima garrafa!

      Sem aqueles aspargo muito presente em boa parte dos Sauvignon Blancs chilenos, por vezes enjoativo quando em excesso o que não é tão incomum assim, estamos diante de um vinho muito fino onde os frutos brancos e as suaves nuances de grama cortada se juntam a uma acidez muito balanceada formando um conjunto difícil de bater para aqueles que preferem a sutileza à opulência. Mais para a delicadez da geisha do que a intensidade da madrinha de bateria, (faz algum sentido a comparação?!!) sem deixar de ser vibrante, é um grande parceiro para pratos de frutos do mar e saladas tropicais e foi uma das gratas surpesas que tive este ano, ainda mais porque mesmo com todos esse CV e retrospecto, possui um preço honesto que não chega aos 90 Reais e espero que permaneça assim. Importado pela Magnum.

Salute, kanimambo e amanhã tem Happy Wine Time na Vino & Sapore. Nos encontramos por lá?

 

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      Adoro essa experiências! Algumas dão errado, mas me esbaldo quando dão certo e esta deu muito certo porque há mil formas de preparar bacalhau e os mais diversos estilos de Malbec então é uma questão de prova e uma certa dose de sede de novidade com uma pitada de ‘aventura”. rs Na enogastronomia “inventar” pode ser uma muito boa pois vivemos nos surpreendendo e aprendendo.

     Faz uns quinze dias estava provando este vinho na loja e me surpreendi muito positivamente com sua elegância e finesse, algo não muito costumeiro nos vinhos dos Hermanos mais conhecidos por sua concentração e potência. Levei o resto da garrafa para casa para provar com mais calma e aproveitei para tentar harmonizá-la com um prato de Penne com Bacalhau e Brócolis, ficou da hora, mas vejamos por quê e que vinho é esse.

         O vinho é o Gougenheim Valle Escondido Malbec 2010 com educados 13.5% de teor alcoólico elaborado na sub-região de Tupungato em Mendoza a cerca de 1000 metros de altitude. Na cor é rubi com toques violáceos típicos da cepa sem a típica super extração que resulta em vinhos muito escuros. Nariz sedutor de frutos negros com nuances florais, pelo menos assim me pareceu, que convidam a levar a taça à boca onde ele se mostra extremamente sedutor, equilibrado e elegante com taninos macios e sedosos, boa estrutura, corpo médio e um final muito agradável algo especiado que pede mais uma taça. Leve passagem por madeira  (4 meses) muito bem balanceada que lhe aporta alguma complexidade de sabores ressaltando suas virtudes. Parker lhe deu 87 pontos, eu lhe daria talvez um pontinho a mais pela boa relação Qualidade x Preço x Prazer pois é um vinho de preço final ao redor dos R$49,00 a 55,00 dependendo da loja, mas o tenho visto em promoção por R$39,00 o que o torna irresistível e imperdível!  

        Tudo levava a crer que poderia encarar meu bacalhau com galhardia e efetivamente isso se comprovou. O prato é leve e o vinho deu-lhe um pouco mais de corpo sem se sobrepor em função de seu equilíbrio e elegância, uma harmonização como a que sempre buscamos em que ambos os players crescem quando juntos, o famoso 2 + 2 = 5 que faz com esse mundo da enogastronomia não seja binário e eu adoro isso! Não é sempre que conseguimos, mas nesta “maridaje” me dei bem. Por sinal, o prato foi regado com o incrível azeite não filtrado da Malhadinha (Alentejo) o que fez o prato crescer um montão, esse ando consumindo a conta-gotas!!

       Se ainda fizer um friozinho e você quiser aproveitar para tentar algo diferente, tente harmonizá-lo com Fondue de Queijo, acho que pode dar samba, ou harmonize-o com amigos num alegre bate papo acompanhando uma linguiça de pernil com ervas como aperitivo, também vale por sua versatilidade, e o preço está muito camarada! A importadora é a Almeria que vem primando por nos ofertar alguns “achados” por preços bem convidativos. Dizem que o Syrah deles também é muito bom, mas esse ainda não provei e quando o fizer vos conto.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para os amigos.

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       Primeiramente o maior prazer de todos, o de poder estar junto de meus amados filhos e neto. Coisa melhor na vida não há e ainda bem que o fazemos com uma certa regularidade e não só num dia especial como esse! Aproveitando o momento, mais uma desculpa (como se isso fosse preciso – rs) para se abrir mais algumas boas garrafas de vinho e curtir o dia bem acompanhado.

      Começamos por matar uma garrafa de Quinta de Linhares Arinto, da região do Vinho Verde em Portugal, que tínhamos aberto no dia anterior para acompanhar um prato de Bifum ao Curry de um restaurante chinês aqui do pedaço. O vinho é delicioso e quanto mais o tomo mais gosto dele. Aquele frescor típico dos Vinhos Verdes enche a boca de prazer e acompanhou muito bem os toques orientais do prato levemente apimentado. Certamente um grande acompanhante de comida Thai e do estilo. Neste domingo, no entanto, foi muito bem acompanhando umas entradinhas, nada sofisticado tudo bem simples, e uma salada de Bifum com kani, cenoura e azeitona. Preparamos bem o palato para o que estava por vir a seguir.

     Quinta da Pellada Touriga Nacional 2004, eta vinho porreta sô!! Se você tiver uma destas garrafas na adega, no entanto, abra logo! A meu ver já está em seu apogeu e não deve melhorar muito mais na garrafa. Com sete anos nas costas, está absolutamente sedutor nos aromas mostrando toda a exuberância da Touriga e encanta o palato. Um vinho com a assinatura Álvaro de Castro um dos grandes mestres na produção de grandes vinhos no Dão. Seus; Carrossel, Pape e Doda são de lamber os beiços e beiram a perfeição! Este Touriga também impõe respeito porém não pelo peso e sim pela complexidade e elegância que ele transmite através de taninos macios e sedosos. Faltou-lhe um pouco de estrutura, esperava mais nesse sentido, por isso acho que se deve tomar logo. Acompanhou bem o strogonoff de filé mignon, elaborado com maestria por minha cara metade, mas seduziu mais sozinho. De qualquer forma, um grande exemplo dos grandes vinhos que a Touriga pode gerar e um deleite que eu merecia! Rs

    Para finalizar, decidi guardar meu Moscatel Roxo Superior 98, achei que era demais para um só dia e depois, não combinaria com a torta de morangos que tínhamos de sobremesa. Para essa combinação, preferi um Vendimnia Tardia da Vina Amalia, vinho surpreendente em sua faixa de preço (R$65) elaborado com castas de muito boa acidez  (Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris e Viognier em partes iguais) que fazem um contrapeso à doçura da torta. Quando lembrei da foto, já era! Modéstia á parte, boa escolha pois a harmonização ficou ótima mesmo o vinho estando a uma temperatura mais alta que o desejado. Difícil foi competir com meu neto pela torta de morangos!

Grande dia, pleno de sabores e prazeres como deveria ser. Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

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       Bem, depois de tanto suspense finalmente citarei o nome do elixir que me seduziu e me levou ao nirvana. Me considero um degustador experiente com alguns milhares de rótulos na bagagem, de tudo o que é estilo, cor e origem, mas mesmo com esse “calo” me emocionei como nunca dantes perante um vinho. Como disse, a degustação se deu na Expovinis e foi algo fora deste universo, pois se tratava de uma prova vertical em que estavam presentes nada menos nada mais do que 13 vinhos de 13 safras diferentes, sendo a primeira de 1998 e a última a de 1900 tomados nessa ordem. Sim você leu corretamente, 1900! É até provável que você já tenha lido sobre elas em posts publicados por outros privilegiados participantes desse evento promovido pela  J.H. Andresen de Vila Nova de Gaia, onde história e grandes vinhos se misturam em perfeita harmonia. Hoje capitaneada por Carlos Flores, a empresa foi fundada por um jovem dinamarquês de apenas 19 anos de idade em 1845, Jann Hinrich Andresen nome que até hoje prevalece na porta desta casa produtora portuense mostrando que mesmo com as mudanças de proprietário a história e tradição foram mantidas.

      Foi Carlos Flores que nos recebeu nesta magnifica degustação comentada com louvor pelo conceituado critico português e jornalista do vinho Rui Falcão – Revista Wine a Essência do Vinho, e os divertidos pitacos de quem hoje comanda as caves, o enólogo Álvaro van Zeller. Show de bolae uma tremenda sinergia entre os três só batida pela excelência deste Portos Colheita na taça e na boca. A maioria dos vinhos é mantida nos cascos (600 litros) sendo engarrafados aos poucos e de todos os vinhos provados, somente um já não existe no casco e está totalmente engarrafado, o de 1937 engarrafado em 1980, uma joia rara que meu amigo César tem o privilégio de ter em sua rica adega (me aguarde César! rs).

     Carlos Flores teve o privilégio de seu antecessor ter sido um “colecionador” de Portos já que ao longo de sua vida só comprou e fez vinho sem vender, estocando e envelhecendo esses caldos com toda a paciência do mundo. Da mesma forma, Carlos já trabalha nos vinhos da próxima geração que provavelmente não verá saírem ao mercado, estranho não? Começam a entender a razão de tanta emoção na taça? É pura historia, tradição e cultura engarrafadas!!  Para elaboração desses Tawnies Colheita Velhos, Álvaro de Castro separa os melhores caldos em 50  cascos para envelhecimento nas caves da empresa. O restante dos vinhos é colocado no mercado com uma média de doze anos de idade e nunca menos de oito! Uma característica importante destes vinhos é que, depois de engarrafar, ele permanece dormente por cerca de 10 anos e só depois desse período é que se inicia um novo processo de evolução, agora na garrafa. Estes vinhos com mais de 40 anos em casco, ganham cor e taninos que tiram da madeira em que sencontram e devem ser servidos por voltas dos 10 a 12ºC.

    Afora 0 1937, esgotado na adega, que está engarrafado e consequentemente com “packaging” final e comercial, todos os outros são amostra de cascos sem rótulos comerciais.  Iniciamos a degustação com o muito bom 1998 e eu tomando minhas anotações. Na sequência os 97 / 95 / 92 (divino) / 91 (excelente) a essa altura e já entrando em êxtase me perguntei, que diabos faço eu aqui tentando explicar o inexplicável, analisando estes elixires que são impossíveis de ser descritos? Parei de tomar notas, relaxei e curti a viagem pois chegaram á mesa o; 82 (grande!) / 81 (genial) / 75 (dá para ficar melhor?) / 68 (maravilha, uma obra de arte) / 63 (para tomar de joelhos) / 37 (impressionante) /10 (obrigado meu Deus por ter me dado este privilégio!) / 00 (acabaram-se os adjetivos qualitativos e os vinhos)!!!!!

Andresen Porto Tawny Colheita 1910 o Vinho da Minha Vida

 Se você esperava que eu ficasse aqui descrevendo este vinho com sua riqueza e complexidade, sua elegância, incrível textura e sofisticados aromas, acidez impressionante para um vinho de mais de 100 anos e um final interminável, esqueça pois o vinho é muito mais que isso! É indescritível, vai fundo, passa do olfato e palato mexendo com todas as nossa emoções, um vinho que beira a perfeição, se é que ela existe, e nos alcança a alma. Um ancião vibrante e cheio de vida!

        Soberbo seria dizer pouco desse incrível elixir de Baco que, vi na Revista de Vinhos portuguesa, custa algo ao redor de 2.500 Euros a garrafa. Quem tiver essa grana eu sugiro ver com a vinícola se pode engarrafar em garrafas de 200ml (rs) e comprar umas duas dúzias para ir tomando ao longo da vida no escurinho do quarto, uma boa musica instrumental de fundo , olhos fechados deixando a emoção tomar conta e viajar no tempo! De chorar de felicidade e emoção á flor da pele ainda hoje quando escrevo estas linhas na tentativa de compartilhar com os amigos esta experiência que espero não venha a ser única em minha vida. Uma pena que não consegui uma garrafa dessas para meu altar de baco, mas vinho de excelência é assim mesmo, a persistência é interminável, na mente!

        Hoje, um kanimambo muito especial ao pessoal da Essência do Vinho e ao Rui especialmente por sua apresentação, ao Carlos Flores por sua generosidade ao Álvaro de Castro pelo que está a fazer na adega, ao Jann Hinrich, ao Albino Pereira dos Santos que fundou esta nova fase da vinícola em 1942, a todos aqueles que contribuíram com estes incríveis caldos. pelo que sei ainda não enontraram o parceiro certo aqui no Brasil, então não sei quem o revende e tão pouco quanto custará por terras brasilis. Interessante que a grande parte dos vinhos que deixaram marcas na minha mente tenham sido doces; Pendits Tokaji Essenzia 2000, Porto Dalva Branco 63, S. Leonardo Porto Twany 20 anos, Moscatel Roxo 1971, Quinta do Vesuvio Vintage 2007, entre outros.  Não sei o que me espera amanhã, quanto mais o resto da minha vida, mas até hoje, nada melhor que o Andresen Colheita 1910 preencheu a minha taça!

       Salute e que baco lhe proporcione a mesma experiência que tive num futuro não tão distante, seja com este rótulo ou com qualquer outro, pois sentir essas sensações é pura emoção, algo tão marcante que se torna inesquecível. Um vinho de reflexão e meditação para ser aplaudido de pé, e foi!

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       Pelo menos no meu bolso, porque pagar mais de 600 Reais pelo primeiro vinho da Bodega, o Almaviva, está fora do meu alcance e, cá entre nós, apesar dele ser um grande vinho compro coisas melhores por esse preço. Questão de gosto e opinião, claro, e certamente haverão controvérsias.  Já o EPU é um vinho que cabe no bolso, porém o problema é que só está disponível no Chile, apesar de alguns pequenos lotes serem trazidos por uma loja virtual. EPU, aparentemente pois apesar de minha pesquisa na net pouco consegui encontrar, quer dizer segundo e não as iniciais de algum nome próprio como um famoso crtitico sugeriu num programa de rádio, neste caso o segundo vinho da Almaviva, uma joint venture entre Concha y Toro e Baron Philippe de Rotschild célebre mundo afora.

        Nunca tinha provado estes vinhos, porém, como sempre, através do desapego e generosidade enófila de um amigo e colega blogueiro (Christiano Orlandi de Vivendo Vinhos – um amante das coisas do Chile e do EPU) que se predispôs a compartilhar os sabores e mistérios desse vinho numa mini vertical, 2001, 2006 e 2007 realizada lá na Vino & Sapore. Muito bons vinhos, cortes de Cabernet Sauvignon e Carmenére, sendo que o 2001 se mostrou divino comprovando que são vinhos de guarda. Mas falemos destes vinhos, apesar de que devo chover no molhado, que custam algo como um terço do “primeiro”.

EPU Dos Mil Uno

14% de teor alcoólico imperceptível e estupendamente integrado. Muito aromático, sua paleta olfativa nos mostra frutos negros em geléia, algo de eucalipto, terminando com toques animais após um tempo em taça. Na boca é denso, muito equilibrado, vivo ainda com boa acidez após 10 anos de vida, rico, complexo e longo com um final com notas achocolatadas. Um vinho hedonístico que está no ponto certo de ser tomado, sedutor e extremamente prazeroso. Aliás, estou por montar uma degustação de vinhos com mais de dez anos e ando á busca de uma garrafa dessas, se alguém a tiver me ajude, vai! Maravilha de vinho de profunda elegância, um dos melhores que tomei em 2011.

EPU Dos Mil Seis

Os mesmos 14%, as mesmas uvas, o mesmo corte porém um vinho totalmente diferente do anterior. Aquela elegância aromática do 2001 não está presente aqui em que tudo é mais franco; fruta, álcool e um quimíco forte que não existia no primeiro. Na boca mostrou-se também menos radiante, algo mais monocromático, com um tradicional perfil chileno que, mesmo bom, não chega a encantar. Será falta de tempo? Poderia ser, mas….

EPU Dos Mil Siete

Para os mais antigos de boa memória invoco a frase; “Eu sou você amanhã” para descrever este vinho com relação ao 2001 e, neste momento, desbanco a possível falta de tempo como “desculpa” para o 2006. Este vinho mostrou todas as aptidões do 2001 porém mais novinho, fechadinho, fruta um pouco mais presente e franca no nariz faltando-lhe, ainda, os aromas terciários do 2001, mas dá para sentir que está tudo lá, ainda escondidinho! Um grande vinho que pede tempo, porém já mostra grandes virtudes e nos dá um enorme prazer tomá-lo deixando-nos, não com vontade da próxima taça, mas sim da próxima garrafa! Quem conseguir algumas garrafas, compre para beber já e guardar por mais alguns anos, vai valer a pena! Grande vinho.

       Por hoje é só. Salute, kanimambo e já sabem, na próxima viagem ao Chile é trazer EPU na bagagem, um achado que deve estar custando por volta de 30 míseros dólares por lá!

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