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Arquivo da categoria ‘Brasil’


        Há tempos que conheço, gosto e recomendo os espumantes da Familia Geisse não sendo esta a primeira vez que falo deles por aqui no blog e minhas colunas. Recentemente, no entanto, tive a oportunidade de conhecer seus novos lançamentos; os Blanc de Blanc e Blanc de Noir nacionais e seu Champagne 1er Cru elaborado, em quantidade limitada,Geisse Champagne a quatro mãos com o produtor francês, Philippe Dumond. Das meras mil e quinhentas garrafas produzidas, metade vieram para o Brasil e farão neste final de ano a alegria de alguns poucos e privilegiados enófilos curiosos e amantes de bons espumantes.

        Falemos rapidamente dos Geisse e me refiro á família não aos vinhos. Mário Geisse é a alma por trás de tudo, enólogo experiente há muitos anos radicado no Brasil, também exercita suas atividades profissionais na Casa Silva, bodega chilena, em seu país de origem.  Seu cantinho de céu encontrou por aqui, mais precisamente em Pinto Bandeira, onde hoje com uvas de seus 22 hectares plantados e na companhia de seus três filhos (Rodrigo, Ignácio e Daniel) produz alguns dos melhores, se não os melhores, espumantes nacionais com reconhecimento internacional tendo Jancis Robinson pontuado seu Brut Magnum 98  com 18,5 pontos sobre 20, coisa que muito champagne de primeira linha ainda está na fila para conseguir! Sua plantação possui cerca de 65% de vinhedos de Chardonnay e o restante de Pinot Noir sendo as melhores parcelas usadas para estes dois novos lançamentos.

DSC01261Geisse Blanc de Blanc 2009 – incrível perlage, ótima mousse com colar de espuma completo, bonito e de boa duração. Aromas sutis com nuances cítricas. Na boca é pura elegância, borbulhas finas que expldem no céu da boca com muita persistência, fresco e muito agradável de tomar. Bom companheiro para frutos do mar e celebrações em geral. Safrado, 2009, é elaborado com as melhores parcelas de Chardonnay de vinhedos próprios.

Geisse Blanc de Noir 2009 – mais uma vez a presença de um colar e perlage exemplares que são características dos espumantes deste produtor, só que desta vez com uma cor diferenciada pois o breve contato com a película da Pinot Noir lhe dá uma cor com notas mais salmonadas do que verdeais que mais comumente verificamos nos espumantes tradicionais. Nariz algo mais frutado com maior volume de boca. Um espumante de mais corpo, cremosos e gastronômico tendo acompanhado maravilhosamente uns pedaços de pancetta que peguei no buffet.

Champagne Geisse / Philippe Dumond  2008 1er Cru – Tomamos história engarrafada! O primeiro sul americano a produzir vinho em Champagne, pelo menos é isso que me consta, num dos poucos produtores 1er Cru, só 43 de cerca de duzentos produtores na região. Um espumante de alma francesa com atitude brasileira! Chardonnay e Pinot Noir meio a meio gerando um vinho cremoso de espuma bem espessa e olfato com maior presença de brioche, leveduras e alguma fruta. É na boca que ele mostra a atitude brasileira onde o cítrico e ótimo frescor estão mais presentes, sustentado por uma magnifica perlage que resulta num final mineral longo e muito saboroso.

       Fui para conhecer esses três, porém também nos foi servido o Nature que é meu xodó e me esbaldei! Como já disse Cave Geisse natureantes, sempre gostei e recomendei estes vinhos porém foi com o tema das Salvaguardas que eles finalmente encontraram seu caminho para A Vino & Sapore. Como sabem, fui um ferrenho adversário da tentativa de golpe que boa parte dos produtores nacionais tentaram dar em nós consumidores então risquei de meu portfolio todos os que apoiaram aquela excrecência promovida pelos barões do vinho. Foi aí que me decidi por ter em meu portfolio a linha da Familia Geisse quase que completa (a linha de entrada Amadeu toda champenoise, é também muito boa e otimamente precificada),  fazendo companhia ao Valmarino & Churchill, Espumantes Bossa e, quem sabe um dia, ainda terei o Orus Rosé do Adolfo Lona. Bons vinhos de quem também se declarou contrário ás Salvaguardas, atitude que temos que valorizar.

      Por hoje é só, mas estes são mais alguns dos bons espumantes nacionais que você pode tomar neste final de ano e sempre, porque como já dizia Napoleão; nas derrotas é necessário e nas vitórias merecido!

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

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        É achavam que eu não ia falar de Brasil né?! Bem, não ia deixar de fora não até porque a vitivinicultura brasileira, a despeito dos malfadados; Maledetto (selo fiscal) e Aberração (ST) vem comprovando que já sabemos fazer vinho e bom, restando-nos agora a esperança de, quem sabe num futuro não muito distante, também aprendamos a comercializá-lo! Enquanto isso, alguns bons rótulos vão surgindo, alguns ótimos, dos quais destaco estes que provei em 2011. Não estão aqui, mas devo dar menção honrosa a quatro vinhos que me surpreenderam muito positivamente na degustação de vinhos nacionais promovida pelo Gustavo (Enoleigos); Miolo Lote 43 2008, Salton Talento 2006, Dal Pizzol 200 anos Touriga Nacional 2009 e Pizzato Concentus 2005.

      Ainda deixarei pendentes os Destaques 2011 de vinhos de Sobremesa e Espumantes, mas como tinha prometido iniciar Fevereiro com minhas diversas listas de Melhores 2011 por faixa de preços, volto a estes Destaques mais adiante em Fevereiro. Falemos agora de meus caldos brazukas!

 

  • Valduga Identidade Arinarnoa – Já provei alguns dos outros rótulos desta linha da valduga, mas de longe é esse que mais me agrada. Arinarnoa é nascida de um enxerto entre a Merlot e a Petit Verdot, sendo uma uva que me agradou bastante. Preciso tomar outros, inclusive argentinos e uruguaios que também se iniciam nesta cepa. Muito elegante e fresco, com taninos macios, um vinho fácil de se gostar com notas olfativas e palativas diferentes e sedutoras. Preço ao redor dos R$70,00.
  • Churchill Cabernet Franc 2008 - Um projeto de Nathan Churchill com a Valmarino, é um vinho complexo e boa textura e nariz muito interessante em que frutos negros e notas tostadas dão suas caras. Mais para encorpado, este 2008 está muito jovem e precisa de uma de aeração para mostrar todo seu potencial e uma temperatura mais para alta, em torno dos 19 a 20º C. Um belo, complexo e elegante vinho que deve melhorar muito com o tempo e custa por volta dos R$70,00.
  • Chesini Gran Vin 2005 – este quem trouxe foi o amigo Gustavo (Enoleigos) e, pasmem, para abrir após uma vertical de seis safras de Don Melchor. Pessoalmente achava que o vinho iria sumir perto dos Hermanos mais robustos, mas se apresentou muito bem tendo surpreendido a maioria dos presentes. Vinho único porque o vinhedo de onde as uvas se originaram não existe mais! Coisas de nossa vitivinultura tupiniquim. Bom vinho, encorpado e equilibrado. Dificil de achar, porém ronda os R$65,00.
  • Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2005 – na praça hoje é difícil de se encontrar o 2005, mas o de 2006 já provei e também está bem saboroso. O 2005 está algo mais complexo, taninos de boa qualidade já equacionados, boa fruta, um vinho muito agradável para se tomar no dia a dia e seu preço o permite, em torno dos R$38,00. Elaborado em Flores da Cunha sob encomenda para a Bella Quinta que é uma vinícola de São Roque, é um vinho que vale bem a pena e bateu por nariz um outro forte contendedor a estar aqui, o Don Giovanni Reserva Merlot.
  • Antonio Dias Tannat – do Alto Uruguai (RS), nova fronteira produtora de vinhos próximo a Chapecó, vem este vinho que mexeu com minhas estruturas ao primeiro gole na Expovinis de 2011 e de lá para cá só fez confirmar que estávamos diante de um vinho surpreendente de um produtor pioneiro numa nova e surpreendente região produtora. Já falei bastante sobre ele aqui no blog então não vou me extender, mas fiquemos de olho neste ano em dois lançamentos o Pinot Noir e o Touriga Nacional que provei de barrica e prometem muito! Por R$49,00 certamente uma boa compra.
  • Sesmarias  2008 – o melhor vinho nacional que já tomei e só por isso merece estar aqui com todas as honras. Seu preço é para colecionador, sua produção idem, e tem que comprar só na Miolo. Muitíssimo bom, equilibrado, complexo, bom volume de boca e gostosa textura, taninos finos e sedosos ainda por serem devidamente integrados (muito jovem), longo é um vinho que mexe com a gente e quem quiser ter uma garrafa dessas prepare-se para pagar a bagatela de R$250,00 ou mais. Pequena produção, cerca de 600 garrafas, e marketing do bom faz com que o preço seja esse disparate, mas como tem quem compra certos estão eles em cobrar tudo isso. Na minha avaliação, meramente hedonística e sem qualquer ciência, baseado no que tem por aí no mercado, um vinho que, apesar de alguns poderam me achar presunçoso, na minha opinião vale,  uns 130 a 160 Reais tops.

    Meus amigos, ontem cumpri mais um de meus muitos anos, ainda não sou um clássico, como meu saudoso sogro falava, mas estou a caminho! Tive o prazer de, via face, receber um montão de mensagens me felicitando pelo dia, uma prova de carinho e reconhecimento que me deixou muito comovido e certo de que a mensagem está sendo bem entendida. Vinho é, acima de tudo, desculpa para reunir GENTE em volta da mesa para COMPARTILHAR bons MOMENTOS, CALDOS e PRATOS independentemente de valores e espero seguir tendo saúde para seguir fazendo isso por algumas décadas mais dividindo essas experiências com vocês. Valeu GENTE, kanimambo e salute.

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           Promovido pelos amigos Evandro e Francisco do blog “2 Panas” nas dependências da Vino & Sapore, um grupo de enoblogueiros e membros da imprensa especializada se encontraram para degustar ás cegas, literalmente porque não foi divulgada qualquer lista anteriormente, quinze espumantes nacionais. Como sempre, uma bela seleção de vinhos que vem comprovar, mais uma vez, que os espumantes brasileiros já são uma realidade e não mais promessa. Ano após ano, volume e qualidade demonstrando maior constância e comprovado pelo grande aumento de vendas e crescimento de Market share versus a concorrência importada.

Pessoalmente, saí desta degustação apaixonado (pausa musical, eheh!)

por um espumante rosé, sim pasmem, de pequena produção e uma incrível delicadeza! Daqueles caldos que deveriam vir, como costumo definir, de fraque e cartola para a mesa. Uma surpreendente criação de alguém que tem história na vinicultura tupiniquim, o Sr. Adolfo Lona, é o OPUS Pas Dose Rosé! A cor já impressiona saindo fora daqueles tradicionais tons rosados e cereja, para algo mais sutil. Visualmente a perlage se mostra muito fina, abundante e consistente nos convidando a levar a taça á boca onde ele se mostra em todo o seu esplendor deixando-nos sentir estrelas no céu da boca. Elegante e fino, rico, equilibrado, complexo e sedutor, um rosé que conseguiu desbancar vinhos de maior renome e preço. Corte de Chardonnay, Pinot Noir, Merlot  vinificado em branco e Merlot vinificado em rosé.  Doze meses em contato com as leveduras e mais doze descansando em garrafa e somente 608 garrafas produzidas, ou seja, mais uma daquelas raridades para poucos e entusiastas amantes do doce néctar. O preço fica ao redor dos R$90,00 mas vai depender do Estado em que você compra! Eu vou querer, só preciso achar!!!!

          O Valmarino Churchil rótulo antigo mais uma vez comprovou suas qualidades, belo Maria da Valduga mas a preço fora de propósito, surpreendente Pizzato Brut (na minha avaliação um dos top 5) mais uma vez, porque no painel de vinhos brasileiros o Concentus também me seduziu, o Excellence me decepcionou, apesar de a maioria o ter elevado às posições top, assim como Cave Geisse Nature. Gosto muito de ambos, mas creio que num painel deste calibre, sofreram por serem mais leves e na comparação tiveram a avaliação prejudicada. Eis os resultados, participantes e média de notas obtidas entre os membros da banca.

1 – Orus Adolfo Lona Pas Dosé Rose 88,78

2 – Valmarino & Churchill 2009 87,56

3 – Maria Valduga 86,78

4 – Chandon Excellence 85,33

5 – 130 Casa Valduga 84,89

6 – Don Giovanni Brut Ouro Lote 6 84,22

7 – Pizzato Brut 2009 83,22

8 – Valmarino & Churchill Zero Dosage 2009 82,22

9 – Miolo Millésime 2006 81,67

10 – Salton 100 anos 80,33

11 – Don Giovanni Brut Chardonnay/Pinot Noir 80,11

12 – Fausto de Pizato Brut Método Tradicional 79,78

13 – Cave Geisse Nature 2008 78,33

14 – Surpresa Sanjo Rosé 78,22

15 – VF Joaquim Rosé 77,89

           Enfim, estas degustações são ótimas para mostrar tendências e quando a maioria se inclina para rótulos específicos (cada um teve no minimo três dos cinco top entre seus preferidos) então algo de muito positivo existe nesses rótulos provados. Como gosto sempre de lembrar, este resultado é fruto do momento, daquelas garrafas provadas e deste grupo de degustadores presentes então as notas e avaliação devem ser consumidas com parcimônia!

         É isso, por hoje é só e bebam muito espumante vai bem a qualquer hora! Salute e kanimambo.

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        Como em qualquer tentativa deste gênero, certamente uma utopia, porém essas iniciativas são sempre interessantes pois provocam reflexão, trazem á prova uma série de rótulos menos conhecidos e quebram tabus. Utopia porque para que isso fosse verdade todos os vinhos produzidos no Brasil teriam que passar pela prova dos degustadores o que é inviável! Promovido pelo amigo Gustavo (Enoleigos) com apoio da Ibravin e a inestimável colaboração da Pizzaria Speranza no Bexiga, tive o privilégio de fazer parte de um pequeno grupo de pessoas convidadas a fazer parte desta banca de degustadores quando 19 vinhos foram colocados à prova. As fotos são do Gustavo e no blog deles você poderá ter ainda mais informação sobre esta degustação.

       No geral, um painel de vinhos de qualidade média boa e algumas surpresas tanto de resultado geral, fruto da média das notas, quanto de alguns vinhos que performaram muito bem e outros nem tanto. Vinho ruim, no entanto, não houve. Abaixo montei uma tabela de resultados da média da banca degustadora e a minha visão pessoal, mas antes alguns comentários:

  • Lote 43 2008 – A última vez que provei foi o 2004 e aquela garrafa me pareceu em franco processo descendente já procurando seu espaço de descanso eterno tendo me decepcionado. Este 2008 mostrou um enorme equilibrio, taninos finos bem presentes, frutos negros e alguma especiaria, complexo sendo ainda um vinho jovem que vai evoluindo na taça de forma muito agradável. Dei-lhe 87,5 pontos versus a média da banca que ficou em 86.
  • Dal Pizzol Touriga Nacional – estive presente em seu lançamento há pouco mais de três anos  e fico feliz que esta nova safra tenha comprovado tudo aquilo que achei naquele momento.  
  • Chesini Gan Vin – provei este vinho na loja após uma tremenda vertical de Don Melchor e o vinho se houve muito bem, mas ficou aquém nesta prova. Preciso abrir mais uma para conferir!
  • Storia 2006 – comprovou, pelo menos com esta garrafa, que está longe de seu incrível irmão mais velho o 2005. Esse sim um grande vinho e um dos melhores vinhos brasileiros que já tomei.
  • Salton Talento –  ano após ano esse vinho demonstra uma tremenda confiabilidade batendo muitos vinhos, inclusive estrangeiros, quando provado ás cegas.
  • Pizzato Concentus – a meu ver foi esta a grande surpresa do painel, já que foi minha terceira nota mais alta.
  • Tannat Don Laurindo – do ganhador, que foi meu sexto colocado, fica-me na memória sua paleta olfativa incrivelmente sedutora e marcante que só não ficou melhor na minha avaliação pois não entregou na boca aquilo que prometia no nariz, mas um belo vinho.
  • Angheben Teroldego e Minimus Anima do Marco Danielle – pouco conhecidos do grande publico comprovaram ser vinhos diferenciados a serem descobertos. Uma pena que não tivéssemos aqui um Valduga Arinarnoa e um Churchill Cabernet Franc, teria sido muito interessante. Dormi no ponto, deveria ter levado da mesma forma que fiz com o Minimus Anima!

Ranking da Banca

Ranking Pessoal

Rótulo

Safra

Preço

Dom Laurindo Tannat 10 anos 2005 R$105,00
13º Villa Francioni VF 2005 R$115,00
18º Rio Sol Paralelo 8 2007 R$70,00
12º Dal Pizzol 200 anos Touriga Nacional 2009 R$35,00
Miolo Lote 43 2008 R$100,00
Salton Talento 2006 R$70,00
Marco Danielle Minimus Anima 2008 R$75,00
Pizzato Concentus 2005 R$50,00
11º Valmarino Reserva da Familia 2005 R$70,00
Angheben Teroldego 2005 R$70,00
10º Cordilheira de Sant’Ana 2004 R$60,00
11º Aurora Millésime 2008 R$50,00
12º 17º Viapiana Gerant Sem Safra R$195,00
13º Boscato Gran Reserva Merlot 2005 R$75,00
14º 15º Valduga Storia 2006 R$115,00
15º 10º Pericó Pinot Noir 2010 R$50,00
16º 14º Lidio Carraro Quorum 2005 R$115,00
17º Marco Danielle Fulvia Pinot Noir 2009 R$120,00
18º 16º Chesini Gran Vin Cabernet Sauvignon 2005 R$55,00

         Os preços podem variar, até em função de sua origem já que os preços no Rio Grande do Sul são bem inferiores aos de São Paulo que paga 31% para os importar. O ganhador ficou com uma média de 87,15 pontos e o último colocado com 80,90. Já meu último ficou com 80 pontos, sendo que para finalizar meu ranking acabei desempatando alguns vinhos com uma análise mais criteriosa aqui em casa.

        Não poderia deixar de finalizar este post sem mencionar a Pizzaria Speranza e seu staff pelo ótimo serviço, simpatia e atendimento. Gente,  fazia tempo que não comia uma pizza de Margherita como essa, é certamente um motivo para dar uma passada por lá sem contar aquele pão de linguiça (Tortano) que é divino!

       Salute, kanimambo e sigo dizendo; vinhos brasileiros cresceram muito em qualidade valendo a pena fazer parte de sua mesa, o problema continua sendo preço e estratégia comercial. Um dia , espero, conseguirão equacionar esses três pontos, torço por isso!

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            Parte dois e, como passei por uma outra experiência muito interessante recentemente, acho que terei que incluir uma terceira!  Bem, mas falemos deste segundo vinho tomado que me causou muito boa impressão inclusive por sua faixa de preço, em torno dos R$20 a 21 a garrafa de 375ml . Interessante que este Reserva dos Pampas apresenta um corte levemente diferente da garrafa de 750ml, tendo sido engarrafado posteriormente. Nesta garrafa de 375ml, o porcentual de Tannat usado é maior o que deixa o vinho bem mais interessante e marcante do que o da garrafa tradicional que já é bem saboroso. A Cordilheira de Santana  é conhecida por seus bons e longevos vinhos, especialmente pelo Chardonnay, Gewurztraminer (melhor do Brasil) e Tannat  já amplamente conhecidos pela maioria dos leitores

           A vinícola tocada a quatro mãos pelo casal Rosana Wagner e Gladistão Omizzolo, é localizado na Campanha Gaúcha, fronteira com o Uruguai. Eis o que eles  falam sobre suas terras em Palomas, Santana do Livramento:  “A escolha da região de Santana do Livramento, ao sul do estado do Rio Grande do Sul, tem uma motivação técnica própria. Essa região fica localizada no paralelo 31º, o mesmo de regiões produtoras de vinhos na Argentina, África do Sul e Austrália, países que produzem vinhos de excelente qualidade. Verificou-se que a região oeste-central da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, representada, meteorológicamente, pelas localidades de Santana do Livramento e Bagé, apresenta o melhor conjunto de condições climáticas para a produção de vinhos finos, no Rio Grande do Sul. Uma vantagem da região oeste-central do Rio Grande do Sul, especialmente Palomas, é a sua continentalidade que, aliada a uma atmosfera límpida (em virtude da baixa umidade relativa do ar), determina maior amplitude térmica diária da temperatura, (diferença entre as temperaturas mínima e máxima). Tudo isso, juntamente com a maior insolação, favorece a fotossíntese líquida, determinando maior teor de açúcar da uva.  O solo arenoso e a pouca precipitação de chuvas, características favoráveis ao plantio, tornam a região muito especial.”

          Esta linha Reserva dos Pampas é sua gama de entrada buscando uma maior participação no mercado e tenho que reconhecer que acertaram em cheio, o vinho é bom e muito saboroso sendo uma ótima opção de vinho para o dia-a-dia. O Marcelo Copello, em seu painel de 80 vinhos brasileiros analisados por faixa de preço em Setembro de 2010, colocou este vinho da safra de 2004, a que está no mercado, como destaque em melhores compras até R$50,00 e estava certo. Apesar de ser um vinho mais comercial, diferentemente do Hex von Wein que possui uma outra proposta, é muito bem elaborado e muitíssimo saboroso. A Tannat lhe aporta um corpo que o torna muito atraente na boca com boa textura, muito equilíbrio com um teor de álcool muito bem dosado (13%), frutos negros, taninos finos e aveludados compondo um conjunto deveras prazeroso de persistência média algo especiada. Um vinho de boa acidez que se mostrou gastronômico, mesmo que não complexo e nem busca essa identidade, sendo boa companhia para carnes grelhadas, um risoto de funghi e coisas do tipo, até uma boa pizza de linguiça de javali. Mais uma grata surpresa fora do roteiro dos grandes produtores e regiões mais tradicionais da produção nacional e mais uma boa razão para jogar o preconceito contra vinhos brasileiros, ou qualquer outro tipo, no lugar onde merece estar, na lixeira mais próxima. Prove vinhos nacionais diferenciados de produtores idem e surpreenda-se você também.

         Para quem os quiser conhecer melhor, minha sugestão é, afora a óbvia prova de seus vinhos, visitar seu site que é bem legal mostrando bem o projeto que vêm desenvolvendo no extremo sul do Brasil, clique aqui. É isso e logo, logo tem mais. Por enquanto, salute, kanimambo e nos vemos por aqui ou na Vino & Sapore onde uma taça de vinho sempre espera os amigos.

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              Apesar da descrença de alguns para com este cronista dos vinhos quando o assunto é vinho brasileiro, deixemos, espero que pela última vez, claro de que meu problema é com o maledetto selo fiscal e quem nos enfiou goela abaixo essa aberração, não com os vinhos nacionais como um todo, até porque apoiar não significa dizer amém para tudo e todos a toda hora! Gosto que me pelo quando provo um vinho que me surpreenda, especialmente quando é brasileiro pois confirma o fato de que estamos evoluindo na elaboração de bons vinhos que, ás cegas e sem preconceitos, acabam ganhando, ou se posicionando muito parelhos com a concorrência externa em provas temáticas. Ainda temos um longo caminho a percorrer, inclusive para ganhar uma maior consistência, porém caminhamos a passos largos numa trajetória muito positiva do ponto de vista qualitativo, faltando-nos ainda, no entanto, desenvolver melhor os aspectos estratégicos e mercadológicos do mercado, mas isso é papo para outro post.  Hoje quero falar de mais dois vinhos que provei recentemente, em meia garrafa, que me deixaram “saborosamente” feliz.

Hex Von Wein, (vinho da bruxa) – é nossa miscigenação cultural chegando  à vinosfera tupiniquim na Picada Café, Rio Grande do Sul no caminho de Gramado. Onde mais, um vinho poderia ter suas uvas plantadas por uma família de origem italiana, vinificado por um alemão e comercializado por uma cooperativa de produtos naturais?!  O Claudio Werneck, amigo blogueiro dos bons que junto com sua parceira Rafaela produzem o delicioso Le Vin au Blog no Rio de Janeiro, é que nos traz esta novidade que alguns outros amigos já provaram. O pessoal de lá devia te dar uma medalha Claudio e valeu, muito, por este agradável e surpreendente presente que degustei neste último Sábado na loja com alguns clientes. Sua peculiaridade começa pelo fato de que sua pequeníssima produção é orgânica e vendida majoritariamente em lojas do setor, não em adegas e lojas especializadas em vinho como a maioria. Vejam o que eles dizem sobre suas uvas; “As parreiras da Hex baseiam-se na BIODIVERSIDADE, ou seja, a eliminação da monocultura e cultivo de várias espécies no mesmo habitat.  Em resumo, na nossa produção voltamos aos antigos modelos de produção agrícola, equilibrando o meio ambiente naturalmente e amenizando as mudanças no sistema biológico. Assim, o solo produz uma fruta mais autêntica, particular, caracterizando o produto de acordo com a região e expressando o real terroir. Quando o solo recebe quimicamente os nutrientes que lhe faltam, até chegar ao ponto ideal de produção, ocorre a massificação da variedade, ou seja, qualquer lugar do mundo o produto tem as mesmas características. Já nossas uvas estão em total harmonia com a natureza”.

Sua filosofia:

“Mas ao fim e ao cabo, nada mais inteligente que comermos e bebermos menos e melhor, contemplando vinhos mais autênticos e expressivos, inspirados em velhos valores de felicidade e bem-estar e orientados pelo respeito ao elo entre a natureza e o homem. Dedicatória a meu Mestre Schleicher R. (Germany), o qual me ensinou a fazer bons vinhos, com lucro se possível, com prejuízo se necessário, mas sempre bons vinhos. Herzlichen Dank. “A qualidade nunca é alcançada por acaso; é sempre o resultado de um grande esforço “.

          A esta altura espero já ter captado sua atenção. O vinho da bruxa, ou da sogra como eu lhe apelidei (rs) , tem a ver com o fato de que estas eram sábias amantes da natureza e seus segredos. Pois bem, parece-me que aqui temos um bruxo da biodinâmica pois o Ricardo Fritsch balançou meu barco com este Cabernet Sauvignon 2007! Para quem gosta, como eu, de vinhos antigos com aromas e sabores de “vinho velho” certamente saberá ao que me refiro. São sempre vinhos que mechem muito com nossos sentidos e este possui estas características Corpo médio de boa textura, acidez no ponto, taninos suaves, sabores algo terrosos, rico, fruta presente de forma sutil e harmoniosa, muito equilibrado com um final de média persistência algo mineral que nos traz de volta à taça para curtir aromas diferenciados e sedutores. Quem me lê e vê minha empolgação pode até pensar que se trata de um grande vinho. Não é, nem pretende ser, cumprindo sim o papel que o Ricardo determinou; vinho bom e autentico que reproduz a essência do terroir através de manuseio o mais natural possível. É sim algo diferente, saindo da mesmice, sedutor e prazeroso para quem aprecia o estilo, outros talvez não o entendam ou gostem dele pois gosto é puramente subjetivo, mostrando a diversidade que podemos encontrar em nossa vinosfera, inclusive a nossa tupiniquim, sem ter que cair em receitas já batidas que pouco ou nada têm para nos surpreender. Para quem queira conhecer mais, faça uma viagem pelo site deles  clicando aqui. Lá, você encontra um link para compras on-line e vi que o preço da garrafa de 750ml está na casa dos R$35,00. Vou ver se acho algumas, das pouquissímas garrafas produzidas, por aqui algures em São Paulo! Por enquanto, ainda tenho mais uma meia garrafa (da foto) para abrir com alguém, tipo eu, que curte estas surpresas, e acho que já sei quem será, mas depois comento.

          Agora, o titulo fala de dois vinhos!  Como optei por começar com o Hex von Wein e acabei me alongando demais na matéria – me empolguei com o vinho, o produtor e o conceito, o segundo vinho, um saboroso Reserva dos Pampas, corte de Cabernet com Merlot e uma boa dose de Tannat elaborado na região de Campanha Gaúcha pela Cordilheira de Santana ficará para o próximo post.

Salute, kanimambo pela visita e nos vemos .

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          Há pouco mais de oito meses tive o privilégio de ter participado do lançamento do primeiro Icewine brasileiro, o Pericó Icewine, frutos do sonho de um empreendedor (Wander Weege) e de um técnico de muito conhecimento e sensibilidade, o enólogo Jefferson Nunes. Juntos transformaram  esse sonho em uma muito boa realidade na taça, por sinal, lindíssima!

          Escrevi sobre essa experiência e vinho aqui, mas pairava uma duvida em minha mente. Quando seria possível repetir a dose com as dificuldades climáticas que temos para produzir este tipo de vinho que requer uma temperatura superior a menos cinco graus centígrados! Pois bem, como diz o título, “Frio Congelante – Tristeza de Uns, Felicidade de Outro” e com esta onda de frio as condições de colheita nunca estiveram tão boas deixando o pessoal da Pericó pleno de felicidade! Em meados de 2012 devemos ser agraciados com uma nova safra nas prateleiras das melhores lojas do ramo com, espero, preços algo mais convidativos.

        Eu que acompanho desde o inicio as peripécias do Jefferson nos vinhedos da Pericó tentando materializar esse sonho, fico feliz de vê-lo ser concretizado mais uma vez e, quem sabe, não possa novamente vir a ser testemunha de mais esse êxito em Outubro de 2012! Vejam algumas das fotos recebidas da vinícola.

Colheita

Salute e kanimambo pela visita.

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Vivendo e aprendendo, se há uma coisa que me é clara é que nossa vinosfera não pára de nos surpreender e, pelo menos eu, descobri uma nova fronteira do vinho brasileiro. Pelo que pude ver ao falar destes vinhos e região para alguns amigos blogueiros, parece-me que não sou o único o que me levou a compartilhar com vocês um pouco mais desta região vitivinícola e seu pioneiro Antonio Dias.

             O conheci nesta Expovinis  tendo seu Tannat me surpreendido muito positivamente e ainda volto para falar do vinho, mas agora  gostaria de compartilhar com vocês a história por trás do vinho e mostrar um pouco essa região denominada Alto Uruguai. Assim pelo nome poderíamos pensar que estivesse próximo ao Uruguai, mas não, está bem distante no norte do Rio Grande do Sul quase fronteira com Santa Catarina tendo como epicentro a cidade de Três Palmeiras a apenas 75 kms de Chapecó (clique no mapa abaixo para ampliar). Na verdade, o nome da região advém de sua relação geográfica com o rio do mesmo nome e não com a país vizinho.

           Altitude ao redor dos 650 metros, solo pedregoso e bem drenado, estações bem definidas, boa amplitude térmica, aparentemente estamos diante de uma região que pode gerar vinhos bastante interessantes e que tem como pioneira a Vinícola Antonio Dias que produz espumantes, e vinhos tranquilos á base de Cabernet Sauvignon, Tannat, Chardonnay, Ancelota, Pinot Noir, Merlot e Touriga Nacional sendo que alguns rótulos já estão no mercado e outros estão a caminho. São apenas cinco hectares de vinhas num projeto iniciado em 2004 e que agora começa a dar seus frutos, porém é também o inicio de uma região já que outros produtores começam a aparecer nem todos, no entanto, ainda pensando em vinhos finos.

 

           Agora volto a falar do Antonio Dias Tannat que provei porque foi um vinho que me chamou a atenção na hora que o levei à boca, mesmo sendo ao final de minha visita à Expovinis ou seja, após ter provado uma boa leva de outros rótulos de diversas nacionalidades e cepas. É um vinho marcante de taninos firmes mas muito sedosos e bem trabalhados, madeira bem colocada dando suporte e não prevalecendo sobre a fruta, boa acidez, boa estrutura, denso, rico, enche a boca de prazer e deixa um retrogosto muito agradável e de boa persistência dando-me a impressão de que, ás cegas, faria bonito em uma prova contra os mais famosos vinhos uruguaios.

          Enfim, uma nova região e um novo produtor no nosso mapa vitivinícola brasileiro a ficar de olho para acompanhar sua evolução. Eu gostei do que provei e vou querer conhecer mais e depois compartilho com vocês. Enquanto isso, se tiver a chance prove esse vinho e me diga o que achou, quem sabe você também não se surpreende.

Salute, kanimambo pela visita e nos vemos por aqui.

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