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Arquivo da categoria ‘Coluna da Eliza’


 Como tenho dito, a Eliza voltou, e trouxe na bagagem muitas experiências que vem compartilhando conosco em sua coluna quinzenal por aqui em Falando de Vinhos. Hoje fiquei feliz por ver que escreveu sobre este produtor criativo e “humilde” que possui um rótulo divinamente divertido e bem bolado, a linha do Arrogant Frog. Vale a pena entrar no site deles só para se divertir com os criativos e bonitos rótulos, uma baita jogada de marketing abraçando bons caldos só podia dar nisso, sucesso! Conheça um pouco mais nas palavras da amiga Eliza.

 

            Domaine Paul Mas. Esta empresa começou nas mãos de Jean-Claude Mas e nos seus 35 hectares de vinhas herdadas do pai. Hoje, com 320 hectares de terras “compradas” e mais 800 hectares de terras “contratadas”, a empresa tornou-se um verdadeiro fenômeno da exportação: ela está presente em 45 países e nos 5 continentes… Mas não se engane, ela não deixou de ser familiar e quem decide tudo (ainda) é o dono. E olha que dono! O danado está reinventando o vinho francês e mostrando para o mundo que o “luxo” não precisa ser caro. Vale a pena conferir!

            Filho, neto, bisneto, trineto de vigneron… o “vírus da vinha” veio de longe e foi conquistando, pouco a pouco, o jovem estudante de economia e marketing. Dúvidas sobre seguir a profissão de seus antepassados? Acredito que ele tinha algumas. Nas próprias palavras do empresário, “trabalhar a terra é difícil”. Mas o menino cresceu e mostrou que tem talento, trabalhando seus diferentes terroirs espalhados pelo Languedoc com maestria, ao longo dos últimos 12 anos. Apaixonado pela diversidade da região e consciente do seu grande potencial, Jean-Claude trabalha suas vinhas de forma tradicional, para extrair o melhor de cada terroir. Nas terras banhadas pelo mar mediterrâneo, os verões são quentes e secos e os invernos, amenos e úmidos. O clima joga à seu favor. Em mais de 10 anos de vindimas, ele se lembra da única vez em que teve que adiantar uma, para não deixar a humidade apodrecer suas preciosas uvas, isentas de pesticidas e outros produtos químicos. E foi justamente no meio de uma vindima, que ele me recebeu, entre uma adega em turbilhão, um escritório enxuto e 80 hectares de vinha.

                    Mas falar do Domaine Paul Mas é, antes de tudo, falar de criatividade e eficiência. A empresa é detentora da marca “Arrogant Frog”. Para quem ainda não conhece, ela traz, fora da garrafa, caricaturas engraçadíssimas de um sapo e dentro, um excelente vinho francês custo/benefício. A idéia, que faz uma referência aos próprios franceses – gentilmente apelidados pelos ingleses de “comedores de sapo” que virou “sapo” e “arrogantes” – conquistou o Japão e em seguida o mundo inteiro. Hoje, tornou-se um dos best-sellers da empresa. Fácil de entender quando o vinho é bonito de se ver, fácil de pagar e ainda gostoso de tomar!

           Outra inovação que vale a pena ser citada chama-se Luxe Rural, um novo conceito de luxo proposto pelo produtor. Para ele, luxo é algo simples, que nos proporciona prazer, que mexe com as nossas emoções e que transforma este momento, num momento perfeito. E olha que esse é o objetivo de Jean-Claude: produzir vinhos ricos e saborosos, capazes de despertar sentimentos esquecidos, aquecer corações e transformar um mero encontro de amigos numa ocasião mais que especial. Criatividade, autenticidade, refinamento e respeito à natureza. A empresa trabalha em agricultura sustentável, conhecida na França como agriculture raisonnée. Com certificação da empresa Terra Vitis, a idéia principal desta filosofia é trabalhar a vinha promovendo o equilíbrio com o seu ecossistema, favorecendo a vida dentro da terra e, em consequência, as defesas imunitárias da própria planta. Tudo isso em detrimento do uso de produtos químicos e de mega tratores que compactam o solo.

           Fica aqui mais uma dica imperdível do Falando de Vinhos, que a nossa Decanter tem o prazer e a competência de representar, desde 2011 no nosso Brasil.

             Bonne semaine et à bientôt!

Ps. Esta marca virou febre e alcança diversos produtos outros que não o vinho e uma série especial de imagens com o “Arrogant Frog” nas mais diversas atividades. Para quem curte design, um case de marketing bem sucedido, porém só imagem não vende, há que se ter conteúdo e aqui ele está sempre presente com um conceito diferenciado; “Vinhos do Velho Mundo com Atitude de Novo Mundo”. Visite seu site e blog, vale a pena. Salute e kanimambo – JFC

 

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      A Eliza voltou, e trouxe na bagagem muitas experiências que estará compartilhando conosco em sua coluna quinzenal por aqui em Falando de Vinhos. Nem tudo, no entanto, será sobre vinhos, pois vivendo por dois anos na região de Montpelier as experiências são também gastronômicas e culturais.  Hoje fala de um produto que para muitos é tabu e para outros uma delicatesse, porém sem duvida alguma é um clássico francês!

         

      Nunca vou esquecer do meu primeiro contato com essa especialidade francesa. Restaurante La Vecchia Cucina do Chef Sergio Arno em São Paulo… jantar festivo… experimentei sem saber o que estava comendo, achei simplesmente delicioso! Depois de saborear metade da entrada, decidi perguntar para o meu “vizinho” o nome de tamanha iguaria… confesso que bateu uma dor no coração… eu nunca tinha ouvido falar “bem” do foie gras… conhecia somente o discurso do fígado gordo e doente do pato que foi forçado a comer e nada mais. Mas a gula fala mais alto. Comi tudo.

          Hoje, sou consumidora moderada. Depois de experimentar e re-experimentar diferentes marcas e tipos de preparação durante os meus 2 anos de imersão na sociedade francesa, ler muito sobre o assunto e ouvir diferentes opniões por aqui, assumo que sou completamente apaixonada pelo seu sabor e sua textura, mas como somente quando tenho muita vontade. E você?

Um pouco de história

       Tudo deve ter começado às margens do rio Nilo. Segundo historiadores, os primeiros registros da engorda de gansos foram encontrados no Antigo Egito. Um desenho numa tumba de 4 mil e 500 anos é a grande testemunha dessa tradição: nele estão representados um ganso e uma escrava que o alimenta com figos.

            Acredita-se que os egípcios observaram que os gansos e os patos, que se preparavam para a longa viagem de migração, comiam muito mais para estocar a energia necessária na forma de gordura. Desta forma, reforçando o comportamento natural das aves migratórias, eles começaram a “incentivar” gansos a comer mais e mais. E, meu instinto me diz, que uma vez gordinhos, eles eram mais apetitosos.

            A prática fez sucesso e foi adotada pelos gregos e, em seguida, pelos romanos. Patos e gansos continuaram à ser engordados a base de figos durante todo o Império Romano. O fígado gordo, muito apreciado, ganhou o nome de Jecur Ficatum, ou seja, “fígado com figos”. Mais tarde, ainda no Império Romano, outros animais foram engordados com figos e o termo Ficaum, “figos” passou a ser utilizado em todas as criações. Ficaum, foie, fegato, fígado… a semelhança chama a atenção e não é uma coincidência: o fígado gordo fez tanto sucesso que o termo utilizado na época deu origem ao nome do orgão fígado nas línguas românicas.

            Após a queda do Império, a tradição foi mantida principalmente pelos judeus, que utilizavam a gordura do pato nas suas preparações culinárias. Mas o mais surpreendente é que, na França da idade média, o fígado gordo não conhecia barreiras econômicas, religiosas nem sociais. Os camponeses engordavam os seus próprios animais e os consumiam com regularidade, preparando-os de diferentes formas. Paradoxalmente, os reis também apreciavam muito a iguaria e o foie gras era servido nos banquetes reais.

            Com a descoberta das américas e do milho, Cristovão Colombo contribuiu, e muito, para o desenvolvimento da produção do foie gras. Prático e super adaptado à alimentação dos patos e gansos, o milho substituiu o figo, permitindo assim, uma rápida difusão da técnica de gavage, principalmente na região da Alsace e no suldoeste da França.

            Durante o século XIX, criaram-se as regras de produção e o processo industrial. A iguaria foi então difundida no mundo todo e tornou-se um símbolo festivo da culinária francesa.

            Hoje, o foie gras de canard faz parte da cultura do país e é patrimônio culinário e cultural protegido pela lei. Ele faz parte de uma gastronomia que, desde 2010, a Unesco reconheceu como Patrimônio cultural imaterial da humanidade. A arte de manger à la française, mundialmente conhecida, inclui todo o ritual, seus produtos de terroir e suas tradições…

 Definição e regras de produção

      A definição oficial é fortemente contestada pelas associações protetoras dos animais. “Fígado sadio de um pato ou ganso adulto, robusto e em boa saúde, criado segundo a tradição.” Será?

            Pois bem, segundo a tradição, os futuros patos e gansos gordos permanecem ao abrigo do primeiro dia de vida, até a 4ª ou a 5ª semana. Desde que as suas plumas estejam suficientemente espessas para protegê-los, eles ganham a liberdade e são criados soltos durante dois meses e meio. Nada de chocante, à primeira vista, eles parecem mais bem tratados que os nossos frangos de granja. No entanto, com cerca de 12 semanas de vida, já adultos, eles são confinados e submetidos à gavage. A polêmica se inicia neste momento. Eles vão receber uma alimentação controlada, forçada e progressiva, durante 2 semanas. E eles vão engordar, muito e muito rápido.

            Por lá o assunto não é tabu. A França é, de longe, a maior produtora e também a maior consumidora de foie gras do mundo. Um lar francês, a cada dois, o consome, especialmente nos dias de festa.

A Polêmica

         A gavage é uma prática condenada e proíbida em 13 países da União Européia.  Vegetarianos ou não, muitos a consideram uma crueldade sem justificativa. Esta prática consiste na ingestão forçada, com a ajuda de um funil metálico (também chamado de sonda gástrica), de uma pasta feita à base de milho, altamente calórica. Patos e gansos são obrigados a comer, pela ação da força física. Claro que esta prática pode ser considerada nada bonita de se ver, especialmente quando ela é realizada em grande escala e os animais são mantidos imobilizados… mas a verdade é que o aumento do consumo e a busca constante pela redução dos custos anda atropelando o bem estar animal em todas as criações… Assustador, não?

Bonne semaine à tous et à la prochaine!

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      A Eliza voltou, mas por enquanto recupera baterias e mata saudades da mommy  porque ninguém é de ferro! Em breve, certamente, o mercado a absorverá novamente pois gente boa com bagagem e a gana qe essa menina tem, não tá sobrando não!  Trouxe na bagagem muitas experiências que certamente estará compartilhando conosco em sua coluna quinzenal por aqui em Falando de Vinhos. Hoje fala de um produtor que, por sinal, me parece uma ótima  dica para importadores já que o produtor ainda não está presente por estas bandas. Fala aí Eliza!

 

Alain Chabanon, uma preciosidade do Languedoc!

 

            Presente em quase todas as lojas de vinho da região, este engenheiro agrônomo dá o que falar por aqui (lá!). Adorados pela crítica, pelos profissionais e pelos consumidores, seus vinhos são únicos, complexos, ricos, equilibrados, maravilhosos! E olha que eu tive o imenso prazer de prová-los todos (alguns mais de uma vez)!  

            Filho de professores, Alain Chabanon estudou enologia à Bordeaux e à Montpellier e trabalhou em diferentes domaines antes de se instalar no terroir de Montpeyroux, sul da França, em 1990. Sua ambição era de elaborar grandes vinhos, finos e elegantes… mas sua natureza perfeccionista conseguiu muito mais! Atualmente com uma produção de 50 mil garrafas por ano, e uma linha composta por um branco, um rosé e seis tintos, este vigneron está satisfeito com as suas terras e os frutos de seu trabalho. Seus 20 hectares de terra, espalhados em diferentes “cidadezinhas” são todos trabalhados em agricultura orgânica e biodinâmica. Um verdadeiro ritual cuidadoso que é traduzido em sensações e em palavras: “Um dia um senhor me ligou, e me disse que ele experimentou emoções extremamente fortes degustando meus vinhos… no início eu fiquei um pouco surpreso… mas finalmente eu entendi e eu entendo, e isto me deixa muito feliz porque nós tocamos o essencial do homem, quer dizer, o prazer, algo além da felicidade… é muito bom poder provocar isso…” compartilha Alain Chabanon na abertura do seu site (http://www.alainchabanon.com/index.html).

            Eu, particularmente, sou apaixonada pelo seu ícone, descrito como uma réussite exceptionnelle, L’Esprit de Font Caude, um vinho que interage conosco e transforma um momento ordinário num momento mais do que especial. Seu nome, poético e cheio de significação – Font Caude significa “nascente quente” na língua occitana, língua esta utilizada à mais de 10 séculos atrás pelos trovadores da região para proclamar poemas e canções – é uma homenagem à nascente que existe na propriedade, onde a água brota à 19°C, faça chuva ou faça sol.

            Elaborado com 50% de Syrah et 50% de Mouvèdre, “o espírito da nascente quente” inspira e surpreende; vinho profundo, saboroso, denso, rico e cheio de elegância. Magia? Não, ele é o fruto de um savoir faire único e de muito trabalho! Vou pincelar alguns momentos importantes para vocês, mas quem quiser saber mais me avisa! Uma das principais etapas, a maceração, dura 5 semanas. Durante este período, um dia sim, um dia não, o vinho é pisado. Depois, ele passa 12 meses nas cubas, 24 meses nas barricas de carvalho francês compradas à Bordeaux – já com 2 anos de utilização – para que depois, finalmente, o blend seja feito. Você já estava pensando que o processo termina por aí? Ainda não… mais uns bons 12 meses de estágio seguidos de um engarrafamento sem colagem e nem filtragem… ou seja, a colheita de 2006 começou a ser disponibilizada no mercado em 2011 e a de 2007 ainda não saiu!!

            Pois é, vinificação é sinônimo de tradição na casa de Alain Chabanon e cada garrafa de L’Esprit de Font Caude resume uma verdadeira epopeia vitivinícola…  tudo isso  com a ajuda de apenas um funcionário… quantas horas será que ele dorme?

Bonne semaine à tous et à la prochaine!

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           Mais uma participação da Eliza aqui no blog direto do Languedoc. Acho legal que os leitores de blogs das mais diversas atividades, eu incluso, possam ver quem é a pessoa que fica por trás daquilo que se escreve pois a mundo blogueiro é muito anônimo e acho que ver quem está do outro lado, saber quem ele é, valoriza, ou não, o conteúdo. A principio, sempre desconfio de tudo que seja anônimo! Por isso esta coluna da Eliza, como já tinha feito com o Breno, trará sempe sua foto. A partir de agora, se a Eliza seguir nos enviando matéria, publicarei seus post quinzenalmente enquanto ela não volta para terras brasilis e nos alegra com sua simpática presença e seu alto astral. Chega de papo, fala aí Eliza:

          O vinhedo da região Languedoc Roussillon sempre foi conhecido e reputado por ser o maior produtor de vinho da França. Mas, como quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade, sua reputação nunca foi das melhores, seja no cenário nacional ou no internacional.

            Conscientes deste problema, os produtores da região decidiram mudar este conceito. Após milhares de euros investidos e kilometros de vinhas arrancadas, a nova generação de vignerons colhe os frutos dos trabalhos iniciados na primeira metade dos anos 80. Hoje, o Languedoc Roussillon aparece triunfante na mídia, ganhando cada vez mais espaço nas lojas e também na mesa dos consumidores franceses.

            Felizes de suas conquistas, mas em busca de muito mais, o ano de 2012 começou com mais uma vitória dos nossos incansáveis escravos da vinha : a região é apontada pela “Association Interprofessionnelle des Vins Bio” como o maior produtor de vinho orgânico da França.

            Nas terras banhadas pelo mar mediterrâneo, o bio deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade. Sede da feira Millésime Bio 2012, a cidade de Montpellier conta hoje com inúmeras lojas de produtos orgânicos : legumes, frutas e verduras podem ser adquiridas sem agrotóxico, assim como produtos processados, como biscoitos, macarrão, sopas, enlatados… e as opções não se resumem tão rapidamente : vocês já imaginaram uma loja inteira de vinhos, dedicada aos vinhos bio elaborados na região?

            A “La Cave des Arceaux” (http://www.cave-arceaux.com ), dirigida por Frédéric Jeanjean em Montpellier, se especializou no comércio de vinhos do Languedoc Roussillon desde a sua fundação em abril de 2001. Hoje, com um portifólio de cerca de mil rótulos, mais de 80% são orgânicos ou em vias de conversão. A explicação é simples : “Nos trabalhamos com vignerons que trabalham de forma orgânica, para defender a expressão do terroir e mais vida nos vinhos” confessa Frédéric.

            Reflexo de qualidade ou não, o que observamos neste pedacinho de paraíso é que bio não está sempre associado à preço exorbitante. Com um budget de 30 reais encontramos inúmeras opções, é vinho para todas as ocasiões e para todos os gostos!

 

Frédéric Jeanjean e Agnès Peyre da “La Cave des Arceaux”

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            Antes dela se apresentar e começar a introduzi-los no mundo enogastronomico do Languedoc, deixa eu falar um pouco da Eliza. Durante muitos anos ela foi a alma e força motora por trás da Lusitana de Vinhos, uma importadora que fechou há uns anos e deixou saudades. Lembro bem dos; Quinta Giesta, especialmente o rosé, vinhos bem honestos da região do Dão, do incomparável e inesquecível S. Leonardo Tawny 20 anos, dos Portos da Quinta de Baldias em especial o delicioso Tawny que mais parecia um reserva e os Barão do Sul e Barão do Sul Reserva que eram incríveis relações Qualidade x Preço x Prazer. Fechou a empresa e a Eliza alçou voo rumo a uma terra distante porém encantadora e repleta de cultura, conhecimento e muito vinho! Agora, enquanto não encontra seu caminho de volta, compartilhará conosco suas experiências. Benvinda amiga e espero ansioso por mais posts.

 

            Atualmente moradora do Sul da França (quelle chance) e completamente apaixonada pela cultura local, aproveito esse espaço (gentilmente cedido pelo queridíssimo João Filipe) para compartilhar com vocês algumas descobertas, minhas impressões e ainda muitas novidades do mundo vinícola francês, disponíveis ou não no Brasil.

            Neste primeiro momento, eu proponho um resumão da história da vinha e do vinho na região Languedoc-Roussillon. Preparados?

            Foram os gregos os primeiros a cultivar a vinha na região méditerrannée, 5 séculos A.C.. Naquela época, o vinho era uma importante moeda de troca e os proprietários das vinhas possuíam poder e prestígio.

            No entanto, quem realmente expandiu a cultura da vinha, desenvolveu o comércio do vinho e até criou as primeiras regras de produção, foi o povo romano. Imaginem que, um século antes do nascimento de Cristo, ao longo de toda a voie domitienne, os centuriões romanos cultivavam a vinha e vendiam o seu fruto mais precioso: o vinho. Mas, como nada dura para sempre, com o declínio do Império, as invasões germânicas e a expansão da presença muçulmana, o comércio se desestabilizou e muitos vinhedos foram esquecidos ou arrancados…

            Por mais de 15 séculos, a região perdeu a sua vocação vinícola… apenas os monges pareciam se interessar pelas práticas vinícolas herdadas da época romana. Muitas Abadias possuíam um pequeno vinhedo, instalações para a vinificação e ainda uma cave para estocar as preciosas garrafas. Mas atenção: tudo isso para consumação própria.

            Foi somente durante os séculos XV e XVII que algumas personalidades se interessaram em desenvolver o comércio no sul da França e, em consequência, a vinha. Mesmo sendo a rota de passagem mais importante entre a Itália e a Espanha, as estradas da região eram muito perigosas e o mar repleto de piratas, o que dificultava énormément o desenvolvimento do comércio. Com a construção do Canal du Midi, em 1681, tudo mudou! A vinha expandiu, expandiu sem parar… o Languedoc tornou-se, em apenas um século, o maio produtor de eau-de-vie, aguardente de uva, do mundo. E, logo em seguida, tornou-se o maior produtor de vinho barato da França. Títulos que marcam a reputação da região até os dias de hoje.

            Mas, atualmente, muita coisa mudou por aqui. Após anos de crise e de falências de caves cooperativas, os antigos produtores preocupados com a quantidade, cederam espaço à uma nova geração de vignerons. A região, enquanto produtora de vinho, se estrutura, descobre seu terroir, tão diverso e tão rico. E nós, hoje, podemos fazer parte dessa história, degustando os vinhos da região, com toda a atenção e o carinho que eles merecem!

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