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Arquivo da categoria ‘ABC do Vinho’


       Amigos, quem estiver a fins de conhecer um pouco mais sobre as regiões, uvas e vinhos de nossa imensa vinosferaBroa estarei dando um curso de Países em módulos mensais que vão de agora até Março do ano que vem e você escolhe de quais quer participar. Afora o curso e seu material informativo, degustação de cinco vinhos (pondo a teoria à prova!) escolhidos a dedo por mim e um prato regional ao final só para não irmos para casa de estômago vazio. O primeiro será Portugal já no dia 29 (próxima Segunda-feira) terminando com bolinhos de bacalhau, Caldo Verde e uma broa de milho portuguesa muito especial e única que encomendei ao meu amigo João lá da padaria Bienal em Moema. Do grupo limitado a 12 pessoas, ainda nos restam 4 vagas então, vai ficar aí sentado vendo o ‘elétrico” (bonde) passar?! Mais detalhes de toda a programação segue abaixo, salute e kanimambo.

Curso de Vinhos - países - pogramação

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        Meus amigos, qual a influência das castas na formação dos blends? O que busca o enólogo quando usa uma ou outra uva em maior ou menor escala? Eis aí um tema extremamente complexo com uma enormidade de variáveis, pois depende de cada Terroir e região produtora, porém este conhecimento das castas e suas influências objetiva a busca, essencialmente, da excelência na produção de vinhos. Recentemente recebi da Ana Grimaldi (RP da ótima Herdade da Malhadinha no Alentejo) uma curta e objetiva lista de cepas plantadas na vinícola que o enólogo da casa usa. Eu achei muito interessante pois nos ajuda a melhor entender esses vinhos e outros da região, por isso compartilho com vocês.

Cepas Brancas

Antão Vaz – pouca acidez ,mas tem uma boa fruta tropical (abacaxi) e normalmente dá vinhos com boa estrutura e untuosidade. (pessoalmente acho que faz lembrar bem a Chardonnay*)

Roupeiro – casta essencialmente de lote, vinhos neutros, mas limpos de aroma.

Verdelho – tem-se mostrado muito frutado e com notas minerais, em termos de prova também dá vinhos com boa boca.

Arinto – grande acidez, nariz um pouco mais contido e sério. Bom potencial de envelhecimento

Chardonnay – gordo, frutado, primeira casta a ser vindimada normalmente

Viognier – quando maduro é exuberante no nariz, flores brancas e aroma a pêssegos dominam a prova. Acidez relativamente baixa.

Cepas Tintas

Aragonez (Tinta Roriz no Douro e Tempranillo em Espanha) – taninos macios e notas de fruta vermelha quando maduro, baixa acidez. Se for colhido verde dá vinhos muito taninosos e desequilibrados

Touriga Nacional – exuberância aromática, violeta, bergamota e alguma laranja mesmo. Bom corpo e bons taninos

Syrah – casta que dá aos vinhos estrutura mas ao mesmo tempo elegância. Notas de fruta preta, violeta e algum animal. Vinhos com potencial de envelhecimento

Tinta Miúda (Graciano em Espanha) – casta cada vez mais importante possui grande acidez natural. Vinhos não tão exuberantes e fáceis como das outras castas, mais elegante, notas de terra. Taninos firmes gerando vinhos com potencial de envelhecimento

Cabernet Sauvignon – Aporta notas vegetais mesmo quando  está madurão, grande estrutura e taninos bem presentes.

Trincadeira (Tinta Amarela no Douro) –notas de alguma ameixa passa; predominando um aroma herbáceo associado a especiarias e alguma pimenta,; na boca, os vinhos são geralmente macios e com algum acídulo, mostrando notas semelhantes ao aroma. No geral, apresentam boa aptidão para envelhecimento.

Alicante Bouschet – base dos tintos da região, esta casta tintureira origina vinhos muito concentrados de cor, ricos em substâncias fenólicas (encorpados) com aromas vinhosos bem evidentes lembrando compota de ameixa bem madura.

         Óbvio, que só isso não adianta sendo o homem um elo essencial na formação do Terroir. O conhecimento, o cultivo das vinhas (é de lá que se originam os bons vinhos), a criatividade e tecnologia, tudo colabora para conseguir gerar grandes vinhos como são os da Malhadinha! Com esse conhecimento das castas e suas influências, no entanto, dá para se ter uma ideia do que o enólogo pretendia elaborar ao fazer determinada mescla de uvas. É uma verdadeira alquimia que quando bem executada, os portugueses são mestres nisso, resulta em vinhos de qualidade pois se tira de cada uva o que esta tem de melhor. Desta forma, na maioria das vezes o resultado são vinhos bem mais complexos e interessantes do que vinhos monocasta. No caso da Malhadinha, ótimos!

       Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

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       Alguns enófilos quebram a cabeça, muitos se frustam, tentando encontrar nos vinhos os aromas descritos pelos enólogos nos contrarótulos ou criticos em suas colunas e blogueiros em seus posts. Para esses vai aqui meu recado, não esquentem e curtam a viagem sem preconceitos pois há vinhos que, de tão aromáticos, ficamos sem saber se os fungamos ou bebemos, já que o prazer é similar! Esse tema de aromas, no entanto, é algo bastante complexo, pois depende da capacidade e treinamento olfativo de cada um, ou seja, é algo pessoal assim como o gosto. No outro dia uma amiga decifrou o que estávamos tentando identificar no final de boca de um vinho verde rosé, Punt e Mes! Quem nunca provou jamais vai entender, mas ela acertou em cheio!!

     A realidade é de que, tanto os aromas como os sabores percebidos são fruto de nossas experiências pessoais e das impressões que deixaram em nossa memória. O fruteiro vai sentir bem mais fácilmente os aromas de algumas frutasBig Nose - close up porque lida diariamente com isso, já o cara que nunca saiu do Mosel (Alemanha) dificilmente vai reconhecer aromas de jabuticaba ou carambola num vinho pelo simples fato de nunca ter visto ou cheirado uma dessas frutas na vida. Da mesma forma, ficar descrevendo num vinho aromas de alcaçuz ou caixa de charutos é uma viagem pelo imaginário para a maioria de nós pobres mortais e duvido que muitos que assim os descrevem por aqui em nossa vinosfera tupiniquim algum dia tenham cheirado um deles. Haja nariz e vivência para tanta e criativa descrição, porém, devaneios á parte, há razões para esses aromas e o Nelson Luiz Pereira, sommelier e diretor de degustação da ABS – São Paulo com quem já tive oportunidade de dividir banca degustadora, publicou ontem em seu blog “ Vinho sem Segredo”   um posto muito legal a este respeito e tomei a liberdade de repicá-lo aqui para aqueles que ainda não leram. Aliás, seu blog é riquissímo e vale a pena perambular por lá até porque sua “bagagem” e experiência de mais de 25 anos assim o recomendam. Eis seu texto bem explicativo sobre os aromas e suas origens:

     Muita gente acha que os aromas encontrados no vinho provêm de algo adicionado ao mesmo, antes ou depois da vinificação. Outros, ficam desapontados por não encontrarem esses aromas descritos com tanta emoção e diversidade. Não há dúvida que é um assunto bastante subjetivo e polêmico. Ao mesmo tempo, o vinho é algo para nos dar prazer, descontração e não, decepção ou tensão. De todo modo, para aqueles que tecnicamente desejam encarar a degustação de uma maneira lógica, vamos tentar elucidar o assunto.

 Começando pelos varietais (vinhos elaborados com uma única uva), a literatura cataloga uma série de aromas possíveis para cada uva. Pelo menos para as mais importantes, há farta informação nos principais livros sobre vinhos. Isso não quer dizer que um determinado vinho varietal terá todos aqueles aromas descritos. Possivelmente, haverá com certeza uma parte deles. Portanto, quando alguém sério fala sobre aromas, ele deve basear-se na literatura, e não chutar aromas que não condizem com determinada uva. Por exemplo, não pode haver aroma de damasco em Cabernet Sauvignon, e sim cassis ou qualquer fruta escura do gênero. Portanto, o embasamento teórico é fator fundamental e seguro para procurarmos na prática determinados aromas, sobretudo com vinhos varietais.

 Um fator complicador na busca de aromas pode ser a madeira. O vinho quando amadurece em barris de carvalho, absorve alguns aromas provenientes da barrica. Os mais comuns são a baunilha, as especiarias e os chamados toques empireumáticos (aromas relacionados ao fogo) que podem ser chocolate, caramelo ou torrefação (café).

Roda de Aromas

Roda de aromas

A roda de aromas acima nos dá uma ideia dos vários tipos de aromas encontrados nos vinhos, em grupos e subgrupos. Principalmente para os iniciantes, não é necessário estressar-se na busca específica de uma fruta como morango ou cereja. Basta saber que ela está no grupo das frutas vermelhas.

Outro fator importante a ser considerado é a evolução do vinho na garrafa, ou seja, em ambiente reduzido (ausência de oxigênio). O vinho é um organismo vivo, sujeito a constantes mudanças. De fato, à medida que o vinho envelhece, ocorre uma série de transformações aromáticas advindas de reações dos componentes do vinho: taninos, ácidos, ésteres, sais minerais, açúcares, entre outros. Deste fato, é perfeitamente normal que um vinho quando jovem, possa apresentar um aroma de fruta tropical, enquanto com o passar dos anos, esta fruta tropical possa dar lugar a aromas de frutas secas.

Outros fatores como a brotytisação (ataque do fungo Botrytis Cinerea nas uvas) provocam sensíveis mudanças na parte aromática dos vinhos. Quando um grão de uva é atacado pela Botrytis, uma série de reações é provocada na planta no intuito de combater esta invasão ou agressão. Portanto, nos chamados vinhos botrytisados prevalecem aromas típicos tais como: mel, esmalte de unha, curry, cogumelos, açúcar queimado, entre outros (favor verificar artigo anterior sobre o assunto). Nesta linha de raciocínio, temos métodos de vinificação específicos que acabam influenciando decisivamente na parte aromática do vinho. É o caso da maceração carbônica, provocando aroma de banana no Beaujolais, sobretudo no Beaujolais Nouveau. O método Champenoise empregado na espumatização dos champagnes, principalmente com contato sur lies (sobre as leveduras) prolongado, resultará em aromas de brioche, cogumelos, frutas secas e toques empireumáticos. A própria fermentação malolática, sobretudo nos vinhos brancos, conferem um aroma amanteigado. Essa fermentação nem sempre ocorre nos vinhos, ela pode ser induzida e transforma o ácido málico (mais agressivo) em ácido lático (mais brando).

Outra linha de raciocínio nos aromas dos vinhos está calcada em regiões clássicas européias, tais como: Bordeaux, Borgonha, Chianti, Ribera del Duero, Rioja, Alentejo, Douro, e tantas outras. Baseadas na noção de terroir que envolve uvas, clima, solo e homem, cada uma destas regiões geram vinhos com perfis aromáticos bem definidos, expressando toda sua tipicidade. Com isso, o aroma de tabaco nos grandes Bordeauxs, o aroma de caça nos grandes Borgonhas, o aroma de pedra de isqueiro nos grandes Pouilly-Fumé são clássicos e fartamente descritos na literatura.

Seja como for, os mais variados aromas encontrados nos vinhos são absolutamente naturais. O fato de encontrarmos um aroma de maçã num determinado vinho não significa que tenha sido colocada alguma essência de maçã no vinho. Significa sim, que por um processo natural ocorrido na vinificação e/ou amadurecimento do vinho, formou-se uma molécula aromática que quimicamente coincide com o aroma de maçã. Nada mais do que isso.

Salute, kanimambo e um ótimo fim de semana para todos.

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        Já faz um tempinho que escrevi sobre a importância das taças no mundo do vinho. Para ser exato, faz quase cinco anos e foi um de meus primeiros posts que segue sendo um de meus mais acessados estando sempre entre os top 10 na lista dos mais lidos. Para muitos dos iniciantes e até iniciados nos mistérios de nossa vinosfera, sempre fica uma tremenda de uma duvida do quanto do que se fala sobre o tema é frescura ou se há efetiva necessidade de se investir um pouco nesse tema.

       Sempre tive uma clara opinião sobre isso achando tão importante ao vinho quanto a temperatura adequada de serviço. Pode-se tomar vinho em copo de requeijão? Lógico que pode e eu mesmo já tive um imenso momento de prazer fazendo isso numa tasca no interior de Portugal acompanhado de pataniscas de bacalhau junto com um saudoso primo, no entanto cada momento é um momento e cada vinho é um vinho! Não dá para ir a um baile de formatura de tênis e bermuda, mas dá para ir ao churrasco do amigo! Cada momento, mesmo que o prazer seja semelhante, requer uma vestimenta diferente e na nossa vinosfera não é diferente.

       Quando galgamos degraus, saindo do vinho básico de mesa, de garrafão e partimos para apreciar vinhos finos de qualidade há que se dar um salto de qualidade na “ferramenta de trabalho” (rs) para melhor usufruir das nuances especificas que cada um desses vinhos tem a nos oferecer. Quanto melhor e mais sofisticados e complexos forem os vinhos, melhor e mais especificas devem ser as taças. Tem gente que gasta verdadeiras fortunas num vinho e depois o toma numa taça comum sem aproveitar tudo o que aquele caldo tem a lhe oferecer e isso é fato, não frescura, conforme pudemos comprovar numa deliciosa e esclarecedora degustação de taças realizada na Vino & Sapore para mais de 30 pessoas.

      Foi o Riedel Tasting, magnificamente apresentada pela brand manager da marca no Brasil, a Cristina Geremias. Foram colocadas sobre a mesa cinco taças de vinho específicos para vinhos de determinadas cepas; Chardonnay, Pinot Noir, Syrah, Cabernet Sauvignon e uma última de branco genérico com os seguintes vinhos; Catena Chardonnay, Alma Negra Pinot, Montes Alpha Syrah e Pisano Cabernet. (clique na imagem para aumentá-la)

         Começamos provando o de Chardonnay que me impressionou sobremaneira pois a engenharia falou mais alto aqui! O bojo e abertura intensificam os aromas enquanto o diâmetro e formato da borda da taça faz com que o vinho penetre a boca de forma diferente jogando o caldo para o final de boca aguçando a sensação de frescor devido à acidez percebida. Pegamos esse vinho e jogamos na taça genérica, onde foram parar os aromas?!! Agora colocamos o vinho num copo de plástico, onde foi parar o vinho?!!!!!!!!!!!!! Voltamos a colocar o vinho na taça de chardonnay e, como num passe de mágica, voltaram todas as sensações aromáticas e palativas, demais! Não acredita, contate qualquer um dos presentes e tire suas duvidas, inclusive com o amigo Alexandre Frias, autor do gostoso Diario de Baco, que esteve presente ao evento com sua charmosa e bonita esposa.

        Demos sequência com o restante dos vinhos e taças, porém não vou vos cansar contando a história de cada um, o importante foi a constatação de que sim, cada vinho tem sua taça e essa descoberta veio através da engenharia e conhecimento adquirido por uma das maiores, se não a maior, produtora de taças de vinho no mundo. Com todo o “expertese” adquirido na produção de cristais finos há mais de 250 anos e pioneira na criação de taças de cristal funcionais que visam extrair dos vinhos todo seu potencial, a Riedel mostra-nos como uma taça pode ser importante para melhor apreciar um bom vinho. Não é à toa que, mesmo sem nunca ter produzido uma única gota de vinho em sua vida, Georg Riedel, atual CEO do grupo e propulsor da marca da família pelo mundo, foi nomeado Home do Ano em 1996 pela conceituada revista inglesa especializada em vinhos, a Decanter Magazine.

       Não são taças baratas, porém se você ama e possui bons rótulos de Chardonnay,  recomendo que invista numa taça dessas, afinal custa basicamente a mesma coisa que uma garrafa de um bom vinho! O mesmo vale para qualquer uma que seja sua paixão;  Pinot Noir, Syrah ou Cabernet Sauvignon. Agora, é importante saber que nenhuma taça, nem as da Riedel, transformam vinho ruim em vinho bom! Essas taças vão é ressaltar e enaltecer as características de cada vinho e isso vale para o que ele tenha de bom e ruim!!!

      Uma taça para cada cepa, no entanto, pode ser um exagero e preciosismo desnecessário especialmente se você não é um colecionador e apreciador costumeiro de grandes vinhos. Nesse caso, recomendo uma taça mais genérica padrão Bordeaux, da Riedel uma boa opção é a Overture que produz resultados bastante interessantes e é mais econômica, que serve para a maioria dos tintos e uma para brancos assim como uma outra para espumantes. Uma bela e esclarecedora degustação que nos foi presenteada pela Riedel e Mistral, sua única e exclusiva importadora no Brasil. Uma chamada especial para a linha de decanteres, em especial o de nome EVE, em formato de serpente, SHOW de bola!

   Salute, kanimambo e hoje tem Happy Wine Time com os vinhos da Vínica (Xisto Alvarinho / Casa da Passarela Colheita Selecionada e Surani Costarossa Primitivo di Manduria) na Vino & Sapore. Vejo voces por lá?!

Ps. Última dia sobre este assunto. Preserve as taças, cuide você mesmo delas!!!

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Pode-se Congelar Vinho?


        Eu pensava que não, mas aí começo a ler uma matérias e vejo que, para minha enorme surpresa,  sim essa possibilidade existe e pouco ou nada altera o caldo de baco! Pesquisando na net me deparei com esta matéria (http://gourmetbrasilia.blogspot.com.br/2010/11/voce-ja-congelou-um-vinho.html) de 2010 publicada por Rodrigo Leitão em seu blog Gourmet Brasilia, mostrando que esse tema não é nem assim tão recente. A prova desse método de preservação de vinho, no entanto, foi feita de forma exemplar pelo respeitado jornalista Luiz Horta, um de meus exemplos nesta vinosfera que habito, numa extensa matéria publicada no Caderno Paladar do jornal O Estado de São Paulo mais recentemente, há cerca de uns 60 dias, sob o titulo: “Vinho Amanhecido Não é Vinagre”. Pelo didatismo do tema, tomei a liberdade de o reproduzir parcialmente, aqui. Caso queira ler a matéria por inteiro (deve), sugiro acessar este link.

“Selecionei quatro estilos de vinho – branco, tinto, espumante e doce fortificado –, escolhi um rótulo de cada estilo e comprei três garrafas de cada rótulo. Poderia (e farei depois, pois esse negócio de testar coisas vicia) ter usado um tinto mais jovem, um espumante nacional, ou um porto. Mas elegi vinhos que considerei com capacidade de resistir mais dias, para que a experiência durasse mais. A temperatura na noite da abertura das 12 garrafas, na minha cozinha, era 22°C. Os brancos estavam a 11°, os champanhes a 6°, os tintos a 14° e os jerezes a 16°. Tirei as rolhas, provei cada garrafa e anotei, numa ficha de degustação, para ter um padrão de avaliação para os dias subsequentes.

            De cada um dos tipos retirei uma taça, que congelei em quatro garrafinhas pet de água mineral, deixando um bom espaço para que não explodissem no congelador. Uma garrafa de cada tipo foi fechada com vacuvin e uma de cada tipo com a rolha original; as oito foram para a geladeira, que estava numa temperatura de 4°, na porta. As quatro remanescentes permaneceram abertas sobre a pia.

            Todos os dias que durou o teste retirei cerca de 50 ml de cada garrafa e provei. A cada abertura das garrafas, o volume de líquido diminuía (com a degustação) e o de oxigênio aumentava. No fechamento com vacuvin e rolha, claro, se não houvesse tal exposição diária ao ar, o resultado seria melhor. As garrafas da pia decaíram mais rapidamente.

           Pensava que iria apenas constatar o que já sabia: que o champanhe e o branco morreriam rápido, o tinto duraria bastante e o fortificado seria o campeão de longevidade. Estava certo só em parte. O champanhe (fechado com vacuvin, com rolha ou deixado aberto na pia) surpreendeu duplamente. Durou mais que o esperado e até ganhou sabor e complexidade.

            Mas a parte mais divertida e reveladora foram as garrafinhas pet. Retirei-as do freezer no domingo à tarde. Estavam como pedras. Deixei que descongelassem naturalmente, na mesa da cozinha, a 24°C. Quando estavam líquidas e por volta dos 10°, provei-as. Foi uma epifania. Já tinha congelado tintos antes, e o processo é bem eficaz para salvar esses vinhos, embora haja uma pequena alteração na textura pela formação de cristais de tártaro. O sabor permanece quase inalterado.

            Os demais vinhos, eu estava congelando pela primeira vez. O branco perdeu um pouco da acidez, ficou menos fresco, mas sobreviveu. O jerez ficou idêntico, mesmo vinho, sabor, aroma.

            O inesperado foi o champanhe descongelado. Fez fizz quando abri, manteve a perlagem, continuou fresco e ficou assim a noite inteira, perdendo só um pouco das borbulhas. A conclusão é que vinhos abertos podem ser congelados, com alguma perda na qualidade, mas mínima perto do que seria sem o congelamento.”

Agora resta-me uma duvida, para quê tudo isso? Somente no sentido de conhecimento acadêmico creio eu, porque de prático mesmo não vejo vantagem nenhuma. Agora, que serve para animar o bate papo entre enófilos, lá isso serve e certamente será causa de vários elogios a seu vasto conhecimento enófilo, porque vinho bom mesmo é o que acaba rápido sem sobras para guardar! Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

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         Oi pessoal, faz tempo que andava com vontade de escrever um pouco sobre este tema, porém sempre postergava já que não queria passar uma imagem pedante, de enochato ou coisas do gênero. Há todavia e escritas ou não, regras de convivio em sociedade e em determinadas ocasiões que devem ser seguidas e nossa vinosfera não é diferente não.  Algumas coisas são essenciais quando degustamos ou vamos a eventos do tipo, mas tenho visto nas inúmeras degustações que organizo ou que visito, que pouco são praticadas então cheguei à conclusão que este post tinha vez. A experiência tem me mostrado uma série de senões que devemos levar em consideração quando nos propomos a encarar esse tipo de evento. Em cima dessa experiência, sem querer ditar regras, elaborei uma curta lista de dicas que, por mais óbvias que sejam, nem todos as praticam e lhe podem ser úteis nesses momentos. Se tiver alguma outra por favor adicione:

1 – Coma um lanche cerca de meia hora, algo neutro sem grandes temperos não vá se entupir com curry (rs), antes só para que a degustação não ocorra com estômago vazio.

2 – Evite perfumes e colônias. Atrapalha a análise olfativa dos vinhos e, muitas vezes, até o vizinho. Incrível como até gente envolvida no business do vinho se atém pouco a esse essencial aspecto de uma degustação. Já vi importador de vinho chegando num jantar degustação e, de tanto perfume, acabar com ambos!

3 – Evite o uso de batom, inclusive os de cacau, pois atrapalhará sua análise gustativa.

4 – Tome bastante água, ajuda a equilibrar e diluir o teor alcoólico consumido.

5 – Coma paõzinho, normalmente disponibilizado nos eventos, que ajuda a dar substância, porém mais que isso, é auxiliar na preparação gustativa limpando a boca para o próximo vinho.

6 – Sempre prove do vinho mais suave para o mais estruturado. Comece pelos espumantes e brancos; rosés, tintos, sobremesa.

7 – Não fique batendo papo com seus amigos em frente ao estande bloqueando o acesso de outros visitantes do evento ao produtor. Pegue sua “dose” e ceda espaço para outros chegarem.

8 – Dê uma chance ao produtor provando boa parte de seus vinhos em vez de só mergulhar no vinho mais conceituado ou top do produtor. Isso em nada melhorará seu conhecimento e os melhores produtores se mostram mesmo é nos seus vinhos de entrada, pois produzir grandes vinhos, a grosso modo, quase todos conseguem em escala limitada! Agora, quem produz bons vinhos de entrada certamente entregará grandes caldos nas gamas mais altas e esse cara você tem que conhecer!

9 – Numa degustação de muitos rótulos, cuspa a maior parte do vinho para evitar eventuais excessos etílicos.

10 – Quando a degustação é limitada, poucos rótulos, dê chance aos vinhos.  Prove-os e depois deixe-os respirar enquanto prova outros, voltando ao vinho inicial posteriormente. Uma série de vinhos evoluem muito bem na taça então dê-lhes uma chance de mostrarem todo seu potencial com calma.

       Como em tudo na vida, etiqueta e boas maneiras, respeito ao próximo e civilidade, coisas que andam caindo em desuso, também devem imperar em nossa vinosfera então lembre-se sempre que sua liberdade cessa onde começa a do outro. Por outro lado, existem formas bem mais baratas e mais eficientes de se tomar um porre e vinho não é uma delas, então prove com parcimônia e moderação até para poder efetivamente  aproveitar a viagem pelos caldos de Baco.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

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       Minha experiência como novo lojista tem me marcado bastante, inclusive com a descoberta da  falta de conhecimento geral sobre as coisas do vinho. Umas são efetivamente mais complexas e outras extremamente simples e até meio óbvias, porém não para quem desconhece o tema e, para que haja um crescimento de consumo de vinhos finos, é essencial que haja uma maior pró-atividade da parte de importadores, lojistas, mídia e produtores na desmistificação e esclarecimento dos pseudo mistérios de nossa vinosfera . Vou tentar responder aqui  e em futuros posts sobre o tema, alguns desses questionamentos e até dar dicas de como se comportar numa loja de vinhos para obter melhor resultado em suas compras. Hoje falo de Vinho do Porto, pois é muito comum receber a seguinte pergunta; “depois de aberta a garrafa de Porto quanto tempo posso deixa-la aberta, dá para deixar por dois ou três meses?”. Invariavelmente a minha resposta é sempre a mesma, se demorar tanto tempo para “matar” esse Porto das duas uma, ou tem algo de errado com o vinho ou com você! rs Brincadeiras á parte, eis o que o o IVDP (instituto de vinhos do Porto – link aqui do lado) tem a dizer sobre isso com meus comentários entre parênteses:

“Depois de aberta a garrafa de vinho do Porto, a sua conservação dependerá da categoria de vinho do Porto e do local onde será guardada. Os tempos abaixo sugeridos servem como orientação, pelo que não se pretende afirmar que o vinho se deteriora completamente, mas que vai havendo uma lenta evolução que leva à perda das características sensoriais originais.   

  • Vintage: 1 a 2 dias (se de muita idade, melhor matar na hora!)
  • LBV: 4 a 5 dias (por experiência, vinhos de cinco a sete anos de vida aguentam bem umas duas/ semanas)
  • Crusted: 4 a 5 dias (idem acima)
  • Ruby / Ruby Reserva: 8 a 10 dias (duas a três semanas para a maioria dos bons produtos. Os mais simples certamente menos)
  • Tawny / Tawny Reserva:  3 a 4 semanas
  • Tawny com Indicação de Idade (10/20/30/40): Entre 1 a 4 meses (os mais novos menos tempo, os mais velhos mais tempo)
  • Brancos com indicação de idade (10/20/30/40): Entre 1 a 4 meses (os mais novos menos tempo, os mais velhos mais tempo)
  • Colheita: Entre 1 a 4 meses (os mais novos menos tempo, os mais velhos mais tempo)
  • Brancos “standard” dependente do estilo: Moderno  (frescos e frutados): 8/10 dias; Tradicionais (estilo oxidativo): 15/20 dias”

         Uma outra pergunta é onde guardar depois de aberto. Não é regra indiscutível, é meramente o que eu faço e tem funcionado, porém outras opiniões certamente existirão. Porta de geladeira e ao servir deixar chegar na temperatura de serviço adequada que, por sugestão do Marcelo Copello, profundo conhecedor destes vinhos, deverá ser:

  • Branco jovem  8 a 10 ºC.
  • Tawny ou Tawny Reserva  14 ºC.
  • Ruby e Ruby Reserva  14 ºC.
  • Colheita ou Tawny 10, 20, 30 e 40 anos  16 ºC.
  • LBV envelhecido  16ºC.
  • Vintage ou LBV jovem  18 ºC.

Bem, é isso e, se tiver perguntas sobre os “mistérios” do vinho e quiser enviar sua pergunta fique á vontade. Se souber respondo, se não corro atrás! Salute, kanimambo e grato pela visita

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     Há tempos que não escrevo sobre temas do ABC do vinho e hoje decidi rever o tema da temperatura ao reler uma revista antiga que tinha aqui em casa, datada de Janeiro 2006!! É a Vinalda, que nem sei se ainda existe, revista editada pelo grupo Dão Sul. Aliás, em seu editorial, Casimiro de Almeida Gomes o Presidente do Conselho de Administração, diz algo que  seis anos depois  segue fazendo muito sentido, talvez mais hoje do que naquele tempo:  “ Estar na vinicultura é uma forma de vida e é, claramente, um projeto de longo prazo que nunca fica concluído. Todos nós nos debatemos com a questão “que futuro?” após uma fase de crescimento desenfreado. As dificuldades vão certamente aumentar e as margens diminuir. Penso mesmo que esta década será de grande retração e provocará inevitavelmente falências e abandono de vinhas por todo o mundo. Há que se ter a capacidade de produzir melhor, em termos médios, e a melhores preços”. Dá no que pensar, né?

      Bem, mas falava, ou pelo menos mencionei isso (rs), da temperatura do vinho, um tema que a meu ver e junto com o quesito taças, pode conquistar ou afastar potenciais enófilos deste complexo e misterioso mundo de Baco. “Não só no palato, como nos aromas, a temperatura adequada enaltece as qualidades do vinho sendo tomado.  O frio aumenta a percepção da sensação amarga, da acidez, dos perfumados e da vivacidade do sabor, já as temperaturas mais elevadas acentuam a intensidade dos aromas, o impacto doce e do álcool reduzindo a delicadeza e elegância dos aromas.Cada vinho, como composto químico que é, tem reações diferentes, logo, temperaturas de consumo dispares. È possível, no entanto, se criar uma tabela que pode, na maioria dos casos, se mostrar muito próxima do ideal para consumo”

       Os brancos, se demasiado frios, não mostram toda a sua riqueza de aromas e qualidades e, se demasiado quentes, perdem o frescor e a vivacidade inerentes ao vinho. Já nos tintos, se demasiado frios ressaltam os taninos e se demasiado quentes potencializam o álcool tornando o vinho, em qualquer uma das hipóteses, desagradável. Existem diversas tabelas de temperaturas publicadas nas mais diversas mídias, porém a que compartilho abaixo me parece uma média ponderada bastante próximo da ideal baseado em experiência própria e na leitura de diversos livros onde o tema é esmiuçado. Eis então minha sugestão das temperaturas mais adequadas a cada tipo de vinho:

•          Espumantes e brancos doces e leves 6 a 8° C.

•          Champagnes de 7 a 10° Centígrados

•          Brancos secos e evoluídos ou um Jerez fino de 8 a 10° Centígrados

•          Rosés, mais leves entre 8 a 10º e, os mais evoluídos, no máximo até uns 12º Centígrados.

•          Tintos leves, de 12 a 15° Centígrados (Pinots, gamays,tempranillos mais jovens)

•          Brancos encorpados e Madeira ou Porto (Tawnies our Ruby básico), de 10 a 14° Centígrados.

•          Tintos médios e Vinhos do Porto Ruby Reserva, de 15 a 17° Centígrados.

•          Tintos encorpados e Vinhos do Porto LBV e Vintage, de 17 a 20° Centígrados.

        Não acredita, acha que essa é só mais uma frescura dos metidos a entendedores de vinho, coisa de enochato? Então faça você mesmo esta experiência. Pegue uma garrafa de vinho tinto, melhor se fizer o mesmo paralelamente com um branco, que tenha estado a temperatura ambiente abra-a e coloque um pouco numa taça. Enrolhe novamente e coloque a garrafa por meia hora na porta da geladeira, retire e prove agora sentindo a diferença. Deixe, o restante por mais uma hora na porta da geladeira e prove-o novamente. Depois deste exercício me diga se é frescura?! Acompanhe este exercicio com um termômetro e aqui, por uma questão de simplicidade e facilidade de manuseio, sugiro o uso daqueles tipo braçadeira (foto acima) que são usados por fora na garrafa.

      Por hoje é só, mas amanhã tem mais pois consegui, finalmente, começar a botar minha escrita em dia. Salute, kanimambo e uma ótima semana com vinhos á temperatura certa!

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